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Manejo de pragas do sorgo

Atualmente, são utilizados na agricultura brasileira cinco tipos agronômicos de sorgo: granífero, forrageiro, sacarino, biomassa e vassoura. Originalmente o sorgo é uma planta que produz grãos e forragem que são utilizados na alimentação animal. Entretanto, em razão da crescente demanda por energia renovável e sustentabilidade, muita atenção tem sido dada aos tipos caracterizados para produção de bioenergia, sorgo sacarino e biomassa.

Por causa  do seu desempenho em condições de estresse hídrico, atualmente, o sorgo granífero é muito utilizado na sucessão ao milho e à soja no final da safrinha ou no sistema de cultivo de sucessão, o que viabiliza ao máximo a utilização dos recursos, fornecendo ao produtor uma receita adicional no período da entressafra, além de quebrar o ciclo das pragas.

Num cenário em que a oferta de cana-de-açúcar tem uma inevitável redução na atual safra e nas próximas em razão da queda na produtividade esperada decorrente da estiagem nas regiões produtoras, o sorgo tem se mostrado uma opção de cultivo que se destaca pela rapidez de crescimento e colheita. O sacarino é utilizado na produção de etanol, e o biomassa para geração de energia a partir da combustão, geração de calor e de energia elétrica.

Contudo, a lavoura de sorgo exige cuidados que, se negligenciados, podem acarretar em prejuízos. Uma das preocupações deve ser com o manejo de pragas nas lavouras, pois a ocorrência de insetos-pragas pode, dependendo da infestação e da espécie de praga, inviabilizar a produção. Dentro da filosofia do Manejo Integrado de Pragas (MIP), esses insetos somente são considerados pragas quando atingem um determinado nível que causa dano econômico para a cultura. O MIP procura preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através da associação das estratégias de controle, seja ela controle biológico, cultural e mesmo químico, buscando manter a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico.

Para que se tenha um manejo efetivo da população de pragas presentes na cultura, um passo primordial é o monitoramento da população de insetos nas lavouras. Para tanto, visitas periódicas são de extrema importância, pois são nelas que o produtor e o técnico identificarão as espécies que são nocivas e a intensidade de infestação. A identificação do nível de controle é feita por meio de amostragens nas áreas de cultivo, que devem ser periódicas. No momento da tomada de decisão, escolhe-se dentre as estratégias do MIP aquela mais adequada ao nível populacional e à praga.

Dentre os insetos fitófagos presentes na fase vegetativa da lavoura, poucas espécies podem causar dano à cultura. As espécies mais nocivas para a cultura do sorgo são a Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho) e a Diatraea saccharalis (broca-da-cana ou broca-do-colmo), que são insetos desfolhadores e broqueadores, podendo causar prejuízos ao produtor se elas não forem controladas efetivamente.

A broca-da-cana é um inseto que abre galerias no colmo, provocando morte das gemas, "coração morto", podridão vermelha, tombamento, enraizamento aéreo, redução do peso de planta, panícula branca, entre outros sintomas. É muito importante salientar que o sintoma de ataque de broca-da-cana em sorgo muitas vezes é pouco percebido no desenvolvimento da lavoura, pois o ataque acontece dentro do colmo.  Em sorgo granífero, especialmente, um sintoma típico é a panícula branca, em que não há o enchimento dos grãos em função da retenção do fluxo de seiva, provocada pela alimentação da lagarta. Já a podridão vermelha, se manifesta por causa ação das antocianinas presentes no sorgo. Estas substâncias auxiliam as plantas na defesa contra pragas e fitopatógenos, e em razão do seu acúmulo nos locais afetados, pode ocorrer a pigmentação púrpura.

A amostragem para broca-da-cana é realizada com a seleção ao acaso de 100 plantas/talhão. Elas devem ser abertas no sentido longitudinal para a determinação da porcentagem de intensidade de infestação, que é definida pela fórmula: I.I.% = 100 x número de internódios broqueados ÷ número total de internódios. O mais comum em sorgo é que a amostragem seja realizada com a utilização de armadilhas contendo fêmeas virgens (feromônio natural) de D. saccharalis. Empregam-se armadilhas que constam de uma pequena gaiola, protegida, onde são colocadas duas fêmeas virgens de até 48 horas de idade (trocadas semanalmente). Os machos atraídos são coletados no piso colante da armadilha. O nível de controle em cana-de-açúcar é de 3% de I.I. quando se utiliza o controle biológico e de 3 a 5% de colmos com lagartas novas quando se utiliza o controle químico (raramente utilizado). Levando em consideração que o sorgo é mais tolerante ao ataque de D. saccharalis, pode-se utilizar então um nível de controle de 4% de I.I. ou 4 adultos/armadilha. É bom lembrar que se deve sempre utilizar o bom senso nas tomadas de decisão.

Já a lagarta-do-cartucho, ao emergir, raspa o limbo foliar e migra para o cartucho da planta. Apresenta coloração parda com três listras claras, possuindo um "Y" invertido na cabeça, e se alimenta principalmente das folhas novas e posteriormente das folhas do palmito. Quando estão agrupadas pode ocorrer o canibalismo.

Deve-se realizar o monitoramento das lavouras, sobretudo até o estádio vegetativo V8-V9. Para a amostragem desse inseto, o produtor e/ou técnico devem selecionar cinco pontos/gleba (gleba = 10 ha) e amostrar 20 plantas/ponto. Faz-se então a contagem do número de plantas atacadas pela lagarta-do-cartucho. O nível de controle para este inseto-praga é de 20% de plantas com sintomas. Deve-se então realizar o controle utilizando produtos químicos seletivos às populações dos inimigos naturais e que sejam registrados para a cultura, já que as plantas apresentam problemas de fitotoxidez a alguns princípios ativos.

Portanto, para ter sucesso no controle de pragas, é importante que seja feito um manejo adequado. A partir das informações de monitoramento, o produtor poderá realizar o controle quando o inseto-praga estiver presente.

A utilização de várias estratégias de controle como o manejo da entressafra, o tratamento de sementes, a utilização do controle biológico e de inseticidas seletivos, a fim de favorecer a ocorrência de inimigos naturais, são as chaves para o sucesso no manejo integrado de pragas.

Autores:

Michelle Vilela, entomologista, bolsista de Pós-Doutorado da Embrapa Milho e Sorgo/Fapemig

Simone Martins Mendes, pesquisadora da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo

Paulo Afonso Viana, pesquisador da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo

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