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A energia que vem da biomassa

No Brasil, a demanda total por energia vai dobrar até 2050, segundo estudo divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em agosto de 2014, e, caso a produção e distribuição de energia não acompanhe esse aumento, o país poderá ficar estagnado. Obviamente essa energia adicional que será demandada precisa ser gerada com qualidade e a um custo competitivo.

O Governo Federal está ciente da necessidade de investimentos privados na geração e distribuição de energia para satisfazer o aumento da demanda no longo prazo. É por isso que os preços de longo prazo da energia aumentaram no último leilão "A-5", referente à entrega de energia proveniente de novos empreendimentos para cinco anos no futuro, ocorrido em 30 de abril de 2015.

Especificamente no caso das termelétricas, a energia cogerada por biomassa para entrega em 2020 foi negociada por R$ 281,00 o MWh. O que é valor quase 36% superior ao leiloado em novembro de 2014 para entrega em 2019.

Assim, os preços devem continuar remuneradores nos próximos anos, apesar das quedas recentes no mercado à vista. A finalidade desse aumento do preço de energia "nova" para entrega futura é viabilizar os investimentos privados.

Nesse sentido, há o entendimento de que as termelétricas têm um papel chave na matriz energética futura do Brasil. Segundo palavras do presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, "essas térmicas são cada vez mais importantes, dada a dificuldade de se construir usinas hidrelétricas com reservatórios. Nesse contexto, o aumento da capacidade térmica reduz a vulnerabilidade do país a eventos climáticos extremos, como os que temos vivido desde o início de 2014", completou.

Não precisamos olhar o futuro para dimensionarmos a importância das termelétricas. A energia oriunda de carvão, gás natural e biomassa tem viabilizado o aumento recente da oferta e se mostrado um grande negócio, principalmente em relação ao último insumo. Nesse caso, existem várias culturas com potencial de geração de energia pela queima da biomassa, sendo que merecem destaque o bagaço da cana-de-açúcar, eucalipto, capim-elefante e mais recentemente o sorgo biomassa.

O fato de o sorgo biomassa ser uma cultura de ciclo curto, com alto potencial produtivo e poder calorífico no patamar dos seus principais concorrentes, tem gerado grandes expectativas no mercado especializado. Atentando para esse nicho de negócio, a Embrapa e as empresas americanas Ceres e NexSteppe já possuem materiais disponíveis no mercado, a despeito do desenvolvimento ainda recente, que têm demonstrado ótimos resultados.

Por ser uma cultura "nova" no ramo, os ajustes no sistema de produção ainda estão ocorrendo, devendo melhorar os resultados no curto e médio prazo. Entretanto, mesmo com os altos custos de produção por hectare do sorgo biomassa (algo característico das culturas de biomassa), a possibilidade de colher acima de 50 toneladas de matéria seca com 50-55% de umidade anima os produtores.

Ademais, em comparação com o eucalipto e a cana-de-açúcar, o sorgo biomassa tem a vantagem de rápido crescimento. Enquanto o eucalipto demanda um investimento de cinco anos e a cana-de-açúcar, de 12 a 18 meses, o sorgo biomassa pode atingir seis metros em apenas seis meses. O que garante uma maior flexibilidade na tomada de decisão dos gestores das usinas.

O interesse na cogeração de energia a partir da biomassa tem levado até mesmo ao desenvolvimento da chamada "cana-energia", com maior quantidade de fibras e biomassa em detrimento da sacarose, quando comparada à cana-de-açúcar tradicional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Rafael Parrella, o sorgo biomassa ainda possui a vantagem de ser totalmente mecanizável. "Plantio, manejo cultural e colheita são feitos com uso de máquinas. Diferentemente da cana e do capim-elefante, que têm plantio com estacas, o sorgo biomassa é propagado por sementes, o que facilita a implantação das áreas." Característica que não está presente na "cana-energia".

Por fim, apesar das oscilações dos preços da energia no curto prazo, o aumento da demanda energética ao longo do tempo e a tão propalada mudança climática devem garantir altos preços na energia nos próximos anos. Nesse cenário, a cogeração de energia pela queima de biomassa deve ter um lugar de destaque, assim como o sorgo biomassa como um dos seus principais atores.

Texto: Rubens Augusto de Miranda
Pesquisador / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)

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