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Ocorrência e controle da cigarrinha-das-pastagens em milho

A cigarrinha-das-pastagens, Deois flavopicta, é bem conhecida no Brasil pelos danos severos que ocasiona às pastagens, notadamente em espécies de braquiárias. Tanto os insetos adultos como as formas jovens se alimentam da planta sugando a seiva. Devido à sucção contínua de seiva, as plantas atacadas iniciam o processo de amarelecimento e seca das folhas. Ataques severos ocasionam a morte da planta, deixando, como sintoma característico em pastagens de braquiária, áreas sem plantas por causa da mortalidade provocada pelo inseto. Geralmente, tal sintoma é mais visível em épocas de escassez de chuva, e mais de um pico da praga pode ocorrer durante o ano. No entanto, sua presença é relativamente constante ao longo do ano. Como as espécies de braquiária são muito competitivas, geralmente ocupam novas áreas, propiciando focos de infestação.

O milho e outras gramíneas (Poaceae) anuais podem servir como fonte de alimento para a cigarrinha. Particularmente, em anos recentes, tem sido mais constante a presença do inseto em milho. A descoloração da planta é o sintoma padrão após ataque na braquiária, sendo o mesmo observado em plantas de milho, o que pode ser confundido com sintomas de deficiência mineral.  Além da suscetibilidade inerente à planta de milho, os danos podem ser mais severos quando o ataque da praga inicia-se logo após a emergência da planta. A planta recém-emergida pode ser morta pela praga sem que o agricultor perceba.

O aumento da incidência da cigarrinha em milho pode ser explicado pela falta de manejo nas pastagens. Falta de manejo propicia aumento da população da praga, cujos adultos ao emergirem e não encontrarem o alimento adequado na pastagem, migram para o milho, principalmente quando este está em fase inicial de desenvolvimento. Plantas de milho mais desenvolvidas também servem de alimento para a praga, embora sejam mais tolerantes ao dano causado pelo inseto.

Um fato agravante em relação ao potencial de dano da cigarrinha é a dificuldade operacional existente durante o plantio do milho. Mesmo com equipamentos e mão de obra que propiciam plantio rápido, em geral não se consegue efetuar o plantio em apenas um dia. Ou seja, é comum se ter intervalos de até 15 dias entre o primeiro e o último plantio de milho em uma mesma área. Há também variações na época de plantio entre agricultores, mesmo considerando que o início das chuvas é o fator determinante do cultivo. Portanto, ao migrar das pastagens, a cigarrinha encontra alimento suficiente e adequado para sua sobrevivência. No milho é comum o acasalamento dos insetos antes de retornarem à pastagem (nativa ou comercial), que já se encontra em melhor condição após as chuvas. Esta condição faz com que haja aumento populacional do inseto nas gerações futuras.

De maneira geral o manejo da cigarrinha em milho é relativamente fácil quando a praga é reconhecida como importante na área-alvo. Tal reconhecimento pode ter sido baseado em infestações anteriores. A presença de áreas comerciais ou nativas com braquiária também é indicativa de problemas futuros em milho.

O controle do inseto pode ser feito, independentemente do tipo de manejo utilizado nas pastagens, através do uso de inseticidas químicos devidamente registrados em órgãos competentes. Considerando que os maiores riscos de perdas econômicas são identificados pelo ataque em plantas recém-emergidas e também em função da dificuldade de efetuar pulverizações corretivas, o tratamento de sementes com um inseticida sistêmico é uma boa ou talvez a melhor alternativa para se controlar esta praga. O efeito é imediato, baixando a população de insetos que quando adultos estariam prontos para migrar para as pastagens ou áreas hospedeiras e iniciarem uma nova infestação. Assim, o tratamento de sementes propiciaria proteção da planta de milho e reduziria o potencial reprodutivo da praga na área da pastagem.

Quando o Tratamento de Sementes (TS) não é realizado, o controle pode ser feito através de pulverizações foliares. Apesar da disponibilidade de produtos químicos, a eficiência do controle é menor, quando comparado ao tratamento preventivo. Este fato se deve não pela ação do produto, mas pela metodologia de aplicação. De maneira geral, o efeito da pulverização é lento quando comparado com a ação imediata do TS. Além disso, deve-se levar em consideração a migração dos insetos-praga para as áreas não tratadas. Outro fator que pode reduzir o efeito da pulverização é a ocorrência comum de chuvas logo após a pulverização, retirando o produto da planta.

Milho Transgênico (Milho Bt)

Em milho convencional, onde há probabilidade de  perdas econômicas ocasionadas pela lagarta-do-cartucho, são comuns o uso do tratamento de semente e/ou as pulverizações foliares. Em ambos os casos,  indiretamente, também pode ocorrer o controle da cigarrinha.

No milho Bt, no qual, em geral, é reduzida drasticamente a incidência da lagarta-do-cartucho, praticamente não há pulverizações visando o controle desta praga. Há também, muitas vezes, a crença de que o tratamento de sementes é dispensável. Desta maneira, a planta emerge e começa seu desenvolvimento sem nenhuma proteção. Não havendo tal proteção e sem a presença da lagarta-do-cartucho, é de se esperar a ocupação, por outras pragas, do mesmo nicho daquela. É o que se tem observado em relação à cigarrinha-das-pastagens e a outros insetos sugadores. Ao contrário do milho convencional, em que provavelmente os métodos de controle utilizados para a lagarta-do-cartucho também são eficientes para manejar a cigarrinha e demais sugadores, mesmo que involuntariamente, no milho Bt há necessidade de medidas de controle dirigidas para estas pragas.

Esse controle é um gasto adicional, porém, muitas vezes necessário, considerando o maior custo da semente do milho Bt. Em outras palavras, o nível de dano econômico causado por insetos que apresentam o potencial de matar as plantas, como é o caso da cigarrinha, é menor do que o dano econômico que essa praga causa ao milho convencional.

 

Texto: Ivan Cruz
Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo
Contato: ivancruz@cnpms.embrapa.br

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