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Armazenamento de milho e micotoxinas: você sabe o que é isso?

As micotoxinas são substâncias químicas produzidas por fungos, estão presentes numa grande parte dos alimentos e podem provocar grandes perdas econômicas em toda a cadeia produtiva agrícola, além de representar risco potencial para o agronegócio brasileiro e para a saúde humana e animal. A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) estima que, em todo o mundo, cerca de 25% dos alimentos estejam contaminados com micotoxinas.

As perdas econômicas para o produtor são devidas ao fato de os animais com micotoxicose recusarem o alimento, acarretando baixa conversão alimentar, com diminuição do ganho de peso corporal, imunossupressão e interferência com a fertilidade. Já os danos à saúde pública referem-se ao consumo de produtos direta ou indiretamente contaminados, como vegetais, carne, ovos e leite, acarretando problemas crônicos graves, como imunossupressão e carcinogenicidade, além de diversos efeitos tóxicos agudos.

Em muitas regiões tropicais e subtropicais, o clima favorável, com elevadas umidade e temperatura, permite a produção agrícola durante o ano todo. Porém, essas mesmas condições são, também, propícias ao desenvolvimento de fungos toxigênicos. O milho é um dos cereais mais vulneráveis ao desenvolvimento desses fungos, havendo relatos de que cerca de 45% do milho produzido no Brasil esteja contaminado com essas toxinas.

No entanto, a escassez de dados na literatura com respeito à qualidade do milho armazenado em propriedades familiares levou a Embrapa Milho e Sorgo a iniciar um projeto, com financiamento da Fapemig e apoio técnico da Emater-MG, com o objetivo principal de avaliar o grau de infestação por insetos-praga, a ocorrência de grãos ardidos e a síntese de micotoxinas em milho armazenado em propriedades rurais do estado de Minas Gerais.

O projeto teve início em 2009 e duração de 30 meses. Nesse período, foram coletadas amostras de milho armazenado em paióis de 17 propriedades familiares das regiões Central, Sul, Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. As coletas na região Central mineira foram feitas a cada intervalo de dois meses, entre junho e dezembro de 2009, e as coletas das regiões Sul e Triângulo Mineiro foram realizadas em intervalos de três meses, entre junho e dezembro de 2010.

Os resultados mostraram baixo percentual de grãos ardidos, ou seja, aqueles que apresentam escurecimento por ação do calor, umidade ou fermentação (variação de 0% a 4,18%) e maior prevalência do fungo Fusarium verticillioides nas 61 amostras de milho coletadas. Foram detectados, também, baixos teores das micotoxinas aflatoxinas, ocratoxinas e zearalenona nessas amostras, não implicando em riscos relacionados a essas toxinas para a saúde humana e dos animais.

Entretanto, foi detectada presença de fumonisinas em todas as amostras analisadas, com teores que variaram entre 230ppb e 6.450ppb, sendo que seis das 61 amostras (cerca de 10%) encontravam-se acima dos limites estabelecidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para milho não processado. Porém, 28 delas (45,9%) encontravam-se acima de 2.500ppb, que é o limite para milho destinado ao consumo humano.

Esses dados incitam grande preocupação, pois sabe-se que, na maioria das propriedades de agricultura familiar, o milho produzido é consumido tanto pelas pessoas, por meio de diversos pratos regionais como angu, bolo de milho e canjiquinha, quanto na alimentação animal. Por outro lado, o fato da incidência ter sido maior de fumonisinas, que são micotoxinas produzidas por fungos que atacam a cultura do milho principalmente no campo, evidencia que práticas agrícolas na cultura do milho devem ser reavaliadas a fim de propor estratégias que minimizem o problema.

Outro aspecto levantado pelo projeto foram os índices médios de infestação por insetos-praga de grãos armazenados – próximos a 20,6% nas propriedades da região Central do estado e 13,3% nas propriedades do Sul e do Alto Paranaíba. Estes índices de infestação podem ser considerados elevados. Contudo, a simples prática da separação das espigas bem empalhadas daquelas mal empalhadas apresentou redução significativa do percentual de infestação com o caruncho do milho Sitophilus zeamais em cerca de 40% nas propriedades que adotaram tal prática. Assim, uma prática que o produtor pode adotar para reduzir a perda por ataque de insetos é separar as espigas mal empalhadas para serem consumidas antes daquelas bem empalhadas, conforme imagem acima.

O armazenamento dos grãos com teor de umidade dos grãos abaixo de 14% (recomendado 12-13%), com teor de impurezas e matérias estranhas (sujeiras) abaixo de 2-3% e a adoção da limpeza do local de armazenagem são outras práticas que previnem a contaminação dos grãos com micotoxinas e reduzem a infestação por insetos-praga.

Agradecimentos: à equipe da Emater-MG, que contribuiu para a realização deste trabalho, identificando as propriedades para coleta do material.

Autores:
Marco Aurélio Guerra Pimentel
Rodrigo Veras da Costa
Simone Martins Mendes
Valéria Aparecida Vieira Queiroz

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo

  COMENTÁRIOS  
 
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Marcos Ap. Pizano | 06/08/2012 - 15:22
No artigo sobre contaminação de milho por micotoxinas, gostaria de receber resposta sobre a unidade de concentração das substâncias. Está referida como ppm (partes por milhão). É isto mesmo ou é ppb (partes por bilhão)? Aguardo manifestação. Um abraço: Pizano
Marco Aurélio Pimentel | 07/08/2012 - 15:49
Prezados leitores,
Por favor, considerem a seguinte correção no texto: Onde se lê "ppm" leia-se "ppb".
Agradecemos a atenção.
Marco Aurélio
Guilherme Ferreira Viana | 07/08/2012 - 16:23
Agradecemos a colaboração do leitor Marcos Ap. Pizano. A alteração já foi feita no artigo.

Atenciosamente,

Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Milho e Sorgo
Eloi Franco de Almeida | 25/08/2012 - 15:20
na minha opinião a informação foi útil para produtor , mas para o consumidor deixou a desejar. ex: outro dia comprei milho beneficiado para fazer canjica, e constatei presença de algumas brocas ainda vivas entre os grãos; e gostaria de saber qual o risco em consumir o produto ?
grato !!!!!
Guilherme Ferreira Viana | 12/09/2012 - 14:31
Prezado Sr. Eloi Franco de Almeida,

a orientação do pesquisador Marco Aurélio Pimentel é que o produto não deve ser consumido nestas condições. É importante estar atento ao prazo de validade e o problema deve ser informado também ao fornecedor que vendeu o produto, que deverá checar as condições onde o milho foi armazenado.

Estamos à disposição.

Atenciosamente,

Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Milho e Sorgo
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