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Evolução do sorgo sacarino para produção de etanol é viável

A cultura do sorgo sacarino tem despontado como alternativa para a produção de etanol quando da entressafra da cana-de-açúcar plantada com o mesmo objetivo. As informações de pesquisa, inclusive no campo, vem aumentando nos últimos meses, levando mais segurança ao produtor na hora da decisão de plantio. A Embrapa Milho e Sorgo teve, juntamente com seis usinas brasileiras de produção de etanol, uma experiência com essa cultura na safra 2011-2012.

O pesquisador André May, que trabalha com sistema de produção de sorgo sacarino, relatou a experiência durante palestra em seminário sobre sorgo sacarino, promovido pela Embrapa em Ribeirão Preto-SP em setembro último. E começou falando sobre quatro pontos: o sorgo sacarino não é igual à cana, mas complementar a ela; ele exige uma velocidade de resposta maior do que a cana quando se tem que tomar decisões; há necessidade de novos conhecimentos a respeito da cadeia produtiva; e o sorgo sacarino é uma cultura que responde bem aos investimentos, mas também é exigente para altas produtividades.

O trabalho foi desenvolvido junto a usinas de São Paulo (dois locais, somando 1.700 hectares semeados em dezembro de 2011 e em janeiro de 2012), de Goiás (outros dois locais, totalizando 1.020 hectares também semeados em dezembro de 2011 e em janeiro de 2012), Minas Gerais (um local, com área de 75 hectares semeada em fevereiro deste ano / safrinha sem irrigação) e Mato Grosso do Sul/Goiás (também um local, somando 100 hectares semeados em março deste ano / safrinha irrigada). Somando-se toda a área, foram 2.895 hectares nos seis estados.

Entre os principais problemas enfrentados, André citou: o desconhecimento da cultura do sorgo sacarino, incluindo ponto de colheita, fertilização e arranjo de plantas; o despreparo das equipes operacional e gerencial; dificuldades para planejamento das operações; problemas para o controle de plantas daninhas; acamamento de até metade da área cultivada (conforme a cultivar usada); e alto custo de transporte devido à baixa densidade de carga colhida.

Tanto a produtividade de colmos (em toneladas por hectare) como a de etanol (em litros por tonelada de colmo) variaram, resultando em produtividades finais (em litros de etanol por hectare) também variáveis. Numa das usinas de São Paulo, por exemplo, a produtividade obtida foi de 2.429 litros de etanol por hectare, com 39,18 toneladas de colmo por hectare X 62 litros de etanol por tonelada de colmo. O pesquisador também deu detalhes com relação, entre outros temas, ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças, ao manejo do solo e à colheita mecanizada.

Expansão - Para aumentar a área, a produção e a produtividade do sorgo sacarino, expandindo a cultura, é preciso que algumas necessidades sejam sanadas. Por exemplo: uma evolução rápida das cultivares de sorgo sacarino (com, entre outras características, panículas menores, capacidade de produção acima de 3.000 litros de etanol por hectare e maiores resistências a pragas e a doenças); o registro, junto ao governo, de defensivos agrícolas específicos para a cultura; a redução dos custos de produção, juntamente com a elevação da produtividade; a adequação do arranjo de plantas para maiores produtividades; e o desenvolvimento do semeio diretamente na palha da cana.

A produtividade a que se chegou no trabalho em parceria da Embrapa com as usinas (em números arredondados, 2.400 litros de etanol por hectare, com 40 toneladas de colmo por hectare e 60 litros de etanol por tonelada de colmo) pode, para as próximas safras, aumentar. Com ajustes no manejo da cultura e adequações industriais, há potencial para 3.500 litros de etanol por hectare, com 50 toneladas de colmo por hectare e 70 litros de etanol por tonelada de colmo. Esta, inclusive, tem sido considerada uma produtividade referência para a cultura do sorgo sacarino.

A partir da experiência, André faz algumas recomendações. Para a safra 2012/2013, redução de custos, melhor planejamento e adequações de manejo visando a melhoria dos rendimentos precisam ser buscados. Outras indicações do pesquisador são o escalonamento do semeio (com cultivares tardios em outubro/novembro e cultivares precoces em dezembro/janeiro), espaçamento com o maior número de linhas por hectare e população final de 120.000 plantas por hectare.

Está aberta a possibilidade de expansão da cultura nas próximas safras. O ponto de partida é entender melhor o sorgo sacarino, tendo-o, sempre, como opção ao cultivo da cana para produção de etanol, nunca como substituto. A época em que ele rende mais também está clara, sendo a entressafra da cana a mais indicada, justamente quando as usinas costumam ficar ociosas. Acima de tudo, porém, o correto manejo da cultura pode proporcionar aumentos consideráveis de produção e de produtividade do sorgo sacarino, colocando-o como opção rentável ao produtor rural brasileiro.

 

Texto: Clenio Araujo (MTb / MG 06279 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.cnpms.embrapa.br
NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)
Tel.: (31) 3027-1223
Cel.: (31) 9974-3282
E-mail: clenio@cnpms.embrapa.br

  COMENTÁRIOS  
 
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JAIME GIANELLA | 18/10/2012 - 13:01
Consideramos relativamente bajo el rendimiento ton/ha, puede explicarse por densidad y/o período vegetativo, favor aclarar. En Perú los ensayos de mejor rendimiento se hicieron con 0.60 mt entre líneas y 10 golpes por metro lineal = aprox 170,000 - 180,000 plantas por ha. Tenemos la ventaja de "temperaturas altas" promedio menores que Brasil y menor humedad (no llueve en la región de la costa). También considramos bajo el rendimiento litros/ton. Agradeceremos nos indiquen %ART + coefiente de extracción + eficiencia fermentación. Cordiales saludos.
JAIME GIANELLA | 18/10/2012 - 13:11
Agradecemos la invitación que nos remitieron y lamentamos no haber podido asistir al seminario sobre Sorgo Sacarino organizado por EMBRAPA en setiembre pasado en Riberao Preto.

Tenemos interés en conocer las ponencias que se expusieron en dicho seminario. Si estan disponibles en archivi electrónico u otra forma solicitamos nos envíen copia de las mismas + el costo que ello implique.

Cordiales saludos,

Jaime Gianella
Clenio Araujo | 19/10/2012 - 14:12
Prezado Jaime

Agradecemos seus comentários, que foram encaminhados a pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo que trabalham com o tema.

Atenciosamente

Núcleo de Comunicação Organizacional

Embrapa Milho e Sorgo
André May | 23/10/2012 - 09:18
Prezado Sr. Jaime,

A densidade de plantas tem sido de 120.000 plantas por hectare, com ciclo previsto de 120 a 130 dias. O espaçamento recomendado tem sido de 0,4 m entre linhas, mas as usinas trabalham com linhas duplas de 1,00x0,5 m, por causa da colhedora de cana. A produtividade de colmos está atrelada ao número de linhas cultivadas por hectare e não ao número de plantas por hectare.

Experimentos mostram que 180.000 plantas por hectare não elevam a produtividade de colmos, apenas elevam a produtividade de folhas. Para regiões com maior disponibilidade
de fatores de produção podemos trabalhar com 130.000 plantas por hectare. O rendimento atual de etanol em situações comerciais tem sido baixo por erros de manejo agrícola e uso de cultivares não sacarinos. O ART do BRS 506 seria de 172 g/L. A extração em usinas tem variado de 70% a 93%, dependendo da qualidade das regulagens na moenda para o sorgo sacarino. A eficiência da fermentação tem sido igual à cana, com as
mesmas leveduras.

Em condições experimentais, temos dados de 5.000 l de etanol/hectare, com produtividades de 70 toneladas de colmos, sem folhas na massa colhida.

Atenciosamente,

André May
Pesquisador da área de Sistemas de Produção de Sorgo Sacarino
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