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Controle biológico de pragas ganhará aliado na aviação agrícola

As crescentes infestações de novas pragas e de espécies já comuns aos agricultores nas lavouras de milho, soja e algodão no Brasil – como a Helicoverpa armigera – têm motivado as empresas de pesquisa a concentrar esforços em alternativas de controle biológico e em mudanças no manejo, como a aplicação dos conceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e a utilização da área de refúgio em lavouras transgênicas.

No entanto, um dos desafios dos pesquisadores é levar às extensas áreas de plantio um agente de controle biológico que apresenta alta eficiência no controle de diversas espécies de pragas: as vespinhas do grupo Trichogramma, um inseto diminuto, mas com alto índice de parasitismo natural. “Até hoje, a aplicação do Trichogramma em grandes áreas se mostrou inviável pela grande demanda por mão de obra, já que as cartelas com os ovos do parasitoide são colocadas manualmente na lavoura do milho”, explica Antônio Álvaro Corsetti Purcino, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

Para tentar mudar essa realidade e levar a tecnologia a plantios de grande extensão, a Embrapa, a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), a Fundação Mato Grosso, a ABR Controles Biológicos e o Grupo Gianchini, de Cláudia-MT, estão planejando testes de aplicação aérea do Trichogramma em uma área experimental próxima à cidade matogrossense de Cláudia, a cerca de 120 km de Sinop. “Os testes iniciais serão feitos em uma área limpa, sem plantios, para que os pesquisadores verifiquem a distribuição espacial do Trichogramma liberado”, explica Antônio Álvaro.

Diferentes metodologias de liberação serão testadas nas próximas semanas. “Estamos na fase de avaliação de qual forma será mais eficiente, pois já sabemos, teoricamente, a quantidade necessária de Trichogramma por hectare”, explica. Ainda segundo Antônio Álvaro, o grupo responsável pela aplicação aérea deverá calibrar fatores como altura do voo, velocidade do avião e abertura do sistema para liberação do Trichogramma.

O método de aplicação aérea do Trichogramma pode, inclusive, atuar no controle da mais nova praga das lavouras de milho, a Helicoverpa armigera, em que as ocorrências de maior severidade foram registradas no Oeste da Bahia, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. “Geralmente essa praga fica escondida na espiga sob a palha, e os inseticidas não atingem o inseto. Como o Trichogramma é um inimigo natural da lagarta, o método de controle biológico deverá ser bem mais eficaz”, reforça Antônio Álvaro. “Essa técnica pode aprimorar e muito o controle de pragas no Brasil”, completa.

Após as fases de acerto dos testes e da melhor metodologia de aplicação, a tecnologia poderá ser levada ao agricultor. Abaixo, veja as responsabilidades de cada empresa.

Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): detentora da tecnologia sobre a multiplicação e o uso de 17 espécies que controlam diferentes pragas na cultura do milho, sobretudo a lagarta-do-cartucho, a que mais traz prejuízos ao produtor rural brasileiro. Os trabalhos envolvem parasitoides que agem especificamente sobre os causadores de pragas como as lagartas-do-cartucho e da-espiga e o pulgão-do-milho.

ABR Controles Biológicos: produção, em escala comercial, das vespinhas do grupo Trichogramma.

Grupo Gianchini: grupo produtor de soja e milho com áreas de integração lavoura-pecuária. Será responsável pela liberação aérea do Trichogramma.

Parceiros: Aprosoja e Fundação Mato Grosso.

Como é feito hoje – Aplicadas manualmente e na maioria das vezes em pequenas lavouras de propriedades familiares, as vespinhas do grupo Trichogramma parasitam os ovos da mariposa impedindo o nascimento e a eclosão das lagartas. Com isso, controlam a praga antes que sejam causados danos à cultura. As vespinhas apresentam eficiência tanto no controle da lagarta-do-cartucho como no controle do complexo de Helicoverpa (zea e armigera). “O alto índice de parasitismo natural de ovos da lagarta-da-espiga indica a adaptação da espécie benéfica ao agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera”, relata Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento): (31) 3027-1905 ou cnpms.nco.geral@embrapa.br .

 

Texto: Guilherme Viana (MTb / MG 06566 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.cnpms.embrapa.br
NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)
Tel.: (31) 3027-1905
E-mail: guilherme.viana@embrapa.br 

 

  COMENTÁRIOS  
 
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José eduardo da silva | 02/07/2013 - 19:03
eu por aqui consegui 8% de laGARTA DO CArtucho no8061, não fiz aplicação , fiz o refugio no balanço do pivot, antes de nacer fiz Rimom , com 3 dias de nascimedo fiz com Rimon mais Mustang, com oito dias de nascido fiz com Premio, e depois com 12 diasTracer, mesmo assim o cointrole não foi facil,pelo menos não fiz nos 100ha.
Clenio Araujo | 03/07/2013 - 08:55
Obrigado por compartilhar sua experiência, José Eduardo.
adalberto lucio borges | 03/07/2013 - 22:25
José Eduardo, pelo que entendi você não usou a vespa, ou estou errado.Se usou quantas vespas foram liberadas/ha e, em quantos pontos/ha. Antes de liberar foi avaliado o parasitismo dos ovos?.
Alairto da Rocha | 03/10/2013 - 22:22
Interessante este artigo.
https://www.youtube.com/watch?v=4oDDLROfh-Y
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Chefia da Embrapa Milho e Sorgo: Antônio Álvaro Corsetti Purcino (chefe-geral), Sidney Netto Parentoni (chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento), Jason de Oliveira Duarte (chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia) e Mônica Aparecida Nazareno (chefe-adjunta de Administração)

 
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