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Primeiro passo para o sucesso no milho é escolher a semente correta para o plantio

Meses de agosto e setembro. Tempo de o produtor rural ver as opções de sementes de milho e começar a decidir sobre qual vai plantar. E são centenas de alternativas, que vão de variedades a híbridos e, entre estes, há os duplos, os triplos e os simples. Além dessa diversidade, os transgênicos definitivamente chegaram à cultura e, hoje, são responsáveis pela maior parte do que é produzido em termos de milho no país.

O produtor precisa estar atento a várias fatores na hora de escolher a semente de milho a ser plantada. De acordo com o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo José Carlos Cruz, da área de fitotecnia, "a semente pode ser considerada o principal insumo e incorpora várias outras tecnologias. Aspectos relacionados às características da cultivar e do sistema de produção deverão ser levados em consideração, para que a lavoura se torne mais competitiva".

Entre esses aspectos, ele cita: o objetivo da produção que está sendo iniciada (se o milho é para grãos, para silagem - neste caso, de planta inteira ou de grãos úmidos? - ou para o consumo como milho verde, por exemplo); as adaptações às chamadas condições edafoclimáticas (relacionadas ao solo e ao clima da região) - nesse caso, o zoneamento de riscos climáticos indica as cultivares que são recomendadas para ambas as safras; a estabilidade e o potencial de rendimento dos grãos; a resistência às principais doenças que acontecem na região de plantio; o nível de tecnologia de que o produtor dispõe; o ciclo adequado aos diferentes sistemas produtivos; e a aceitação do mercado consumidor com relação ao milho que será plantado, sobretudo no que se refere à cor e à textura do grão.

Parece (e realmente é!) muita coisa, mas são fatores que, lá na frente, no meio do cultivo, definirão o sucesso ou o fracasso da lavoura. Portanto, são pontos essenciais para que o produtor não perca tempo e dinheiro. José Carlos afirma que, por ser muito difícil reunir numa mesma cultivar todas as características desejáveis, "o produtor deve fazer uma avaliação completa das informações geradas pela pesquisa, pela assistência técnica, pelas empresas produtoras de sementes, pelas experiências regionais e pelo comportamento de safras passadas". E emenda: "sempre que possível, é recomendável o plantio de duas ou mais cultivares que combinem um balanço de características, de modo a promover a redução de riscos".

Alguns números - Para a safra 2013/2014, estão sendo comercializadas 467 cultivares de milho, queda de 12 cultivares em relação à safra passada. Dessas 467, 253 (ou 54%) são transgênicas e as demais 214 (ou 46%) são convencionais. É a primeira vez que o número de cultivares geneticamente modificadas é maior do que o de cultivares convencionais. E José Carlos acrescenta: "além disto, como novidade no mercado, também serão comercializados dois híbridos duplos transgênicos, o que aumenta o leque de escolha para agricultores com menor capacidade de investimento".

Na dinâmica de renovação das cultivares para a safra que se aproxima, 85 novas cultivares (sendo 74 transgênicas e 11 convencionais) entraram e 97 (40 transgênicas e 57 convencionais) saíram do mercado. E, dentro da quantidade de cultivares novas no mercado, 22 apresentam, de fato, genética nova, sendo 19 híbridos simples, um híbrido simples modificado, um híbrido triplo e um híbrido duplo.

O pesquisador da Embrapa explica que, "atualmente, uma cultivar tanto pode ser comercializada com várias versões transgênicas, como já existem cultivares com apenas algum evento transgênico, mas que não são comercializadas na forma convencional". Assim, entre as 467 opções que há no mercado, 317 (ou 68%) apresentam, de fato, genética nova e as 150 (ou 32%) restantes são variações de eventos transgênicos.

Por fim, das 317 cultivares efetivamente novas, 213 são convencionais ou apresentam algum evento transgênico. E as outras 104 são comercializadas apenas como versões transgênicas, não apresentando opções convencionais. Os híbridos simples são maioria entre as cultivares novas, com 56% das opções, seguidos dos híbridos triplos (que são 19%), dos híbridos duplos (com 14%) e das variedades (com 12%), em números arredondados.

Em meio a tantos números e opções de escolha da semente, José Carlos acredita que "tem havido grande evolução na produção de milho no Brasil. As mudanças que vêm ocorrendo nos sistemas de produção de milho no país comprovam a profissionalização dos produtores, associadas ao papel cada vez mais importante de técnicos, consultores e extensionistas da rede pública e especialmente da rede privada, por meio da assistência técnica e do maior fluxo de informações". Agora, é esperar que tanta informação seja bem trabalhada pelo produtor e que ele consiga planejar bem sua safra de milho 2013/2014. Afinal, desse planejamento inicial (que começa com uma boa escolha da semente), podem surgir lavouras de milho cada vez mais produtivas, permitindo mais renda no campo.

Texto: Clenio Araujo (MTb / MG 06279 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.cnpms.embrapa.br
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Tel.: (31) 3027-1223
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E-mail: clenio.araujo@embrapa.br

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José Luiz Bedani | 27/08/2013 - 11:40
Parabéns pela matéria. Muito agradável de ler. Informações importantes sobre os pontos a serem observados no momento
da escolha dos cultivares. De fato, como salientou o autor, são muitos detalhes que lá na frente poderão fazer a diferença entre o
sucesso e o fracasso da lavoura.
Clenio Araujo | 27/08/2013 - 13:22
Obrigado pelo comentário, José Luiz

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