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Manejo integrado pode ser estratégia contra ameaças de pragas à agricultura brasileira

A série de fatores responsável pelos recordes consecutivos na produção agrícola brasileira de grãos também vem mostrando as enormes ameaças a um dos setores mais estratégicos da economia brasileira. Com três safras por ano, uma ocupação ininterrupta do solo com lavouras cada vez mais adensadas, descuidos na adoção de boas práticas, como a área de refúgio, e a aplicação cada vez mais indiscriminada de inseticidas, criou-se um ambiente perfeito para a proliferação de pragas já existentes e até então exóticas, como a Helicoverpa armigera, e as recentes infestações da mosca-branca sobre o milho, por exemplo.

Conforme citado pelo presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Maurício Lopes em recente artigo publicado no Estadão, mais de 150 insetos-praga estão aptos a entrar no país, podendo ocasionar perdas de até R$ 40 bilhões. Segundo o pesquisador Ivan Cruz, do Núcleo de Pesquisa em Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), os maiores riscos à agricultura brasileira são provocados pelas espécies de insetos polífagas, ou seja, comuns a vários cultivos, e pelo avanço no aparecimento de pragas resistentes tanto a produtos químicos ou até mesmo a plantas Bt.

“Com a intensificação das lavouras, colheita após colheita, temos alimento ininterrupto para as pragas, aumentando, consequentemente, seu tempo de sobrevivência. Outro fator preocupante é a aplicação desenfreada de inseticidas. Há relatos de até 30 aplicações de inseticidas em lavouras de algodão na tentativa de controle da H. armigera. Com isso, provoca-se seleção nas espécies e as mais resistentes proliferam”, explica Cruz. Por outro lado, quando uma tecnologia tem como alvo apenas determinado grupo de insetos pode haver aumento na incidência de pragas não alvo da tecnologia. “O percevejo, por exemplo, já se alimenta praticamente de qualquer transgênico, cujo alvo principal é a lagarta-do-cartucho”, completa.

Infelizmente, no cultivo do milho transgênico, já há relatos de até oito ou nove aplicações de inseticidas, o que deveria ser, teoricamente, desnecessário. “O que aconteceu na Bahia é simplesmente um exemplo do que pode acontecer nas grandes áreas produtoras brasileiras. O agricultor deve sempre procurar um técnico para juntos discutirem e tomarem a melhor decisão sobre o manejo adequado das pragas em sua propriedade”, alerta o pesquisador.

Mesmo pragas que até há pouco tempo se encontravam sob controle estão com sua população consideravelmente aumentada na área agrícola e até mesmo vêm sendo encontradas em locais onde havia registros de menor incidência. É o caso, por exemplo, da lagarta-do-cartucho na espiga do milho. “Outro ponto importante que deve ser considerado em relação ao manejo de pragas está relacionado às novas práticas agrícolas como, por exemplo, o adensamento das lavouras. Plantios mais densos podem impedir que uma medida de controle atinja o alvo via pulverização de inseticidas. As folhas superiores da planta impedem a deposição adequada do produto na ponta da espiga onde se encontra, por exemplo, a H. armigera”, explica Ivan.

Saída pode estar no MIP, defendem pesquisadores

O que aconteceu no Oeste da Bahia pode ter sido ocasionado por dois fatores: uso indiscriminado de inseticidas, ocasionando a morte dos inimigos naturais dos insetos-praga, e uma seca consecutiva de dois anos, o que favoreceu a proliferação. Segundo o pesquisador Ivan Cruz, uma das estratégias para o controle da Helicoverpa armigera e de outras pragas, como a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-espiga e a broca-da-cana, é o monitoramento frequente das lavouras. Esse monitoramento tem sido facilitado com o uso de armadilha adesiva onde é depositado em seu interior um atraente sexual, denominado feromônio (foto ao alto). “O feromônio é uma ferramenta fenomenal para identificar o momento certo de liberação de inimigos naturais, como a vespa Trichogramma, ou a pulverização de microrganismos como o Baculovírus e até mesmo a pulverização de um produto químico seletivo, poupando os insetos benéficos”.

De acordo com o pesquisador, a liberação do Trichogramma, um inseto benéfico que parasita exclusivamente os ovos de diversas pragas dentro da Ordem Lepidoptera (mariposas), impedindo sua disseminação, deve ser feita no momento em que forem capturadas três mariposas na armadilha contendo o feromônio sexual. “Deve-se respeitar esse parâmetro e não a idade da planta”, explica. “Ainda há uma descrença enorme por parte de alguns segmentos sobre a efetividade dos inimigos naturais no controle de pragas. O que podemos dizer sobre o Trichogramma é que essa vespinha procura o ovo da praga para parasitá-lo e, portanto, ao contrário de algumas outras medidas, não precisa atingir diretamente a praga ou o local onde ela necessariamente estará transitando”, descreve Ivan.

BACULOVÍRUS E BT - Outra arma eficiente são as cepas de baculovírus (vírus patogênicos a insetos) e de Bt (bactérias) identificadas pela Embrapa recentemente. O pesquisador Fernando Hercos Valicente, do Núcleo de Biologia Aplicada da Embrapa Milho e Sorgo, é um dos responsáveis pela pesquisa. “Fizemos coletas da H. armigera em Luís Eduardo Magalhães e identificamos isolados de Baculovírus que estão sendo multiplicados em lagartas sadias da criação artificial. Encontramos também quatro cepas da nossa coleção de Bacillus thuringiensis que controlaram eficientemente essa praga. No momento, estamos na fase de identificação de meio básico para a produção de biopesticidas”, revela Valicente.

O pesquisador ainda cita algumas mudanças de comportamento já percebidas nos produtores do Oeste da Bahia, como a vontade de diminuir o tamanho dos talhões plantados, evitar o uso indiscriminado de inseticidas químicos, tornar o uso do refúgio obrigatório e incentivar a produção de produtos biológicos de controle. Ainda segundo Ivan Cruz, os próprios agricultores baianos decidiram aumentar em 20% a área de refúgio na próxima safra. “Há um consenso entre os grandes produtores de que os problemas com pragas serão resolvidos com transgenia e defensivos químicos. No entanto, o Brasil terá que oferecer soluções mais sustentáveis para o agronegócio brasileiro, como a aplicação dos conceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas)”, complementa Antônio Álvaro Corsetti Purcino, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo.

 

Acesse aqui a última publicação produzida pela Embrapa Milho e Sorgo sobre o tema.


Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento): (31) 3027-1905 ou cnpms.nco.geral@embrapa.br .

 

Imagens: Ivan Cruz / Embrapa Milho e Sorgo

Texto: Guilherme Viana (MTb / MG 06566 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.cnpms.embrapa.br
NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)
Tel.: (31) 3027-1905

 

 

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Edição: NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)

Revisão: Antonio Claudio da Silva Barros

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