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Plantio de milho Bt deve seguir orientações importantes

A utilização de milho transgênico no Brasil teve um crescimento muito rápido. A adoção dessa tecnologia pode ser explicada pela facilidade de controle de pragas e pela otimização das tarefas de tratos culturais proporcionadas ao produtor.

Entretanto, existem cuidados importantes quando se decide plantar o milho transgênico com atividade inseticida, popularmente conhecido como milho Bt. O grande risco da utilização em massa dessa tecnologia, sem as prevenções adequadas, é o desenvolvimento da resistência de insetos.

A principal estratégia para o produtor evitar a evolução da resistência de pragas é a utilização de área de refúgio. Mas, afinal, você sabe como deve ser feita a área de refúgio e por que ela é tão importante? Confira todas as explicações na entrevista com os entomologistas Simone Mendes, da Embrapa Milho e Sorgo, e José Waquil, pesquisador de resistência de insetos.

Grão em Grão - O que é área de refúgio?

Simone Mendes - É a semeadura de um percentual da lavoura de milho transgênico Bt com o híbrido de milho não Bt ou "convencional", de igual porte e ciclo, de preferência os similares dos híbridos transgênicos.

 Por que plantar refúgio?

S.M. - É necessário plantar o refúgio para manter a população de pragas sensível à toxina Bt, visando a durabilidade da tecnologia.

A área de refúgio é aquela em que a praga-alvo irá sobreviver e reproduzir-se sem a exposição à toxina Bt. Os insetos oriundos dessa área poderão se acasalar com os insetos sobreviventes das áreas plantadas com milho Bt, reduzindo a velocidade da seleção de uma raça de insetos resistentes.

Qual o tamanho da área de refúgio?

S.M. - O percentual da área da lavoura que deve ser plantada com milho não Bt varia com o tipo de evento transgênico utilizado, podendo variar, em média, de 5 a 10% dela. Se o evento expressa mais de uma proteína inseticida para o mesmo inseto-alvo, por exemplo, a área de refúgio pode ser reduzida.

Como fazer a área de refúgio?

S.M. - Acredito que esse é a pergunta mais importante, porque o refúgio deve estar plantado no local certo, caso contrário é o mesmo de não tê-lo. A área de lavoura não Bt (refúgio) deve ser semeada a menos de 800 metros de distância das plantas transgênicas. Essa distância foi estabelecida a partir de dados de pesquisa feita para as pragas-chave do milho que mostra que essa é a distância média de voo das principais pragas-alvo nessa cultura. Assim, seria ineficiente o produtor fazer o plantio da área de refúgio e deixá-la a mais de 800 metros de distância da área transgênica (Bt), pois os insetos que sobreviverem na área convencional precisam encontrar aqueles que sobreviveram em lavouras Bt para se acasalarem. Essas recomendações são no sentido de sincronizar os cruzamentos dos possíveis adultos de pragas sobreviventes na área de lavouras Bt com susceptíveis emergidos na área de refúgio.

O refúgio estruturado deve ser desenhado de acordo com a área cultivada com a lavoura Bt. Para glebas com dimensões acima de 800 metros, cultivadas com milho Bt, serão necessárias faixas de refúgio internas nas respectivas glebas. Além disso, é importante lembrar que, na área de refúgio, é permitida a utilização de outros métodos de controle, desde que não sejam utilizados bioinseticidas à base de Bt.

O que é o refúgio no saco?

José Waquil - É a mistura de sementes não transgênicas junto com as transgênicas na usina de beneficiamento, nas proporções de refúgio recomendadas. Essa prática vem sendo avaliada pelas empresas detentoras da tecnologia.

E essa estratégia apresenta algum problema?

J.W. - Alguns questionamentos têm sido feitos no sentido da viabilidade dessa estratégia. Um desses questionamentos é sobre a possibilidade de lagartas maiores desenvolvidas no milho não Bt (refúgio) migrarem para plantas do milho Bt, causando danos e acelerando a seleção de insetos resistentes. Embora isso seja possível, é pouco provável, pois as principais pragas-alvo do milho Bt, logo no desenvolvimento inicial, têm o hábito de penetrarem no cartucho (S. frugiperda), no colmo (D. saccharalis) e na espiga (Helicoverpa spp.) e só saem da planta após cessar a fase de alimentação larval. Além disso, está provado que o milho Bt tem um alto grau de não-preferência. Portanto, o que normalmente acontece é a migração de lagartas recém-eclodidas no milho Bt para as plantas de milho não Bt (refúgio).

Também se questiona quanto à impossibilidade de controlar as pragas com inseticidas, uma vez que as plantas de milho não Bt estariam misturadas às Bt. Quanto a isso, é bom lembrar que o objetivo do refúgio é produzir insetos suscetíveis. Além disso, a proporção de não Bt na lavoura precisa ser bem dimensionada, de forma a cumprir o objetivo e manter nível aceitável de produtividade.

Qual o risco para o produtor que não adotar a estratégia de refúgio?

S.M. - O principal risco do não uso da área de refúgio está na rápida seleção de insetos-praga resistentes às toxinas do Bt. O produtor que não utilizar a prática do manejo da resistência será, sem dúvida, a primeira vítima da quebra da defesa, não obtendo controle das pragas-alvo com os híbridos de milho Bt. Portanto, a utilização da área de refúgio é essencial para garantir a manutenção da funcionalidade e da durabilidade da tecnologia Bt.

O que é a regra da coexistência?

S. M. - É importante que o produtor não confunda a área de refúgio com a área de coexistência; essa última existe para preservar a liberdade de escolha de produtores vizinhos e consumidores em relação à cultivar de milho.

A norma de coexistência do milho Bt com cultivares não Bt, estabelecida pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) no Brasil, exige para plantios comerciais isolamentos de 100 metros entre lavouras de milho Bt e não Bt,  ou de 20 metros de distância, desde que nessa sejam plantadas 10 fileiras de milho não Bt com híbrido de igual porte e ciclo. Dessa forma, a área de refúgio pode ser feita com o aproveitamento da área de coexistência, desde que atenda à distância máxima entre o milho Bt e o refúgio, e é o que na prática tem ocorrido. O importante é que o produtor esteja ciente de que essas duas regras devem ser obedecidas e da importância delas tanto para a preservação da tecnologia Bt como para a liberdade do vizinho em produzir milho convencional.

Como escolher o milho transgênico a ser plantado?

S. M. - O monitoramento da eficácia dos eventos Bt utilizados nas lavouras deve servir de balizamento para a escolha dos eventos transgênicos a serem plantados na safra seguinte. Assim, o produtor deve conhecer todas as proteínas inseticidas expressas em cada evento e evitar plantar eventos contendo a mesma proteína inseticida em toda sua lavoura, bem como evitar o plantio daquelas proteínas que apresentaram menor eficácia no controle das lagartas na sua lavoura na safra anterior. É o que podemos chamar de "rotação de genes" ou de proteínas inseticidas.

Além do milho, estão disponíveis para plantio, no Brasil, soja e algodão expressando proteínas Bt. Os eventos para essas culturas podem conter proteínas inseticidas semelhantes àquelas disponíveis para o milho. Dessa forma, deve-se selecionar, quando possível, diferentes eventos para essas três culturas, evitando sobreposição de proteínas inseticidas, com intuito de reduzir a pressão da seleção naquela área.

Texto: Marina Torres (MG 08577 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.cnpms.embrapa.br
Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO)
Tel.: (31) 3027-1272
E-mail: marina.torres@embrapa.br

 

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