topo
Jornal Eletrônico da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)   |
   Ano 08 - Edição 52 - Fevereiro e Março de 2014
   Ano 13 - Edição 112 - Setembro/Outubro de 2019 
   Ano 13 - Edição 111 - Agosto de 2019 
   Ano 13 - Edição 110 - Julho de 2019 
   Ano 13 - Edição 109 - Junho de 2019 
   Ano 13 - Edição 108 - Maio de 2019 
   Ano 13 - Edição 107 - Abril de 2019 
   Ano 13 - Edição 106 - Março de 2019 
   Ano 13 - Edição 105 - Janeiro/Fevereiro de 2019 
   Ano 12 - Edição 104 - Nov. e Dezembro de 2018 
   Ano 12 - Edição 103 - Outubro de 2018 
   Ano 12 - Edição 102 - Setembro de 2018 
   Ano 12 - Edição 101 - Agosto de 2018 
 
 
seta
  NOTÍCIAS logo Embrapa
  imagem da notícia  
Agricultura irrigada por pivôs centrais é tema de projeto

Fazer o levantamento da agricultura irrigada por pivôs centrais no Brasil nos anos de 2013 e 2014 usando técnicas de sensoriamento remoto e imagens de satélite. Este é o principal objetivo de projeto de pesquisa que está sendo desenvolvido pela Embrapa e financiado pela ANA (Agência Nacional de Águas). Os responsáveis pelo trabalho são os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo Daniel Pereira Guimarães e Elena Charlotte Landau. A seguir, Daniel responde a perguntas sobre o projeto.

Grão em Grão: Como surgiu o projeto?
Daniel: Há cerca de sete anos, publicamos o trabalho "Contribuição para a Popularização dos Sistemas de Informações Geográficas", abordando o uso de softwares livres ou de baixo custo e a integração Google x SIG como técnicas alternativas e eficientes para o geoprocessamento. A chegada da colega Charlotte deu um grande impulso nessa área, resultando na geração de importantes trabalhos, como o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, a caracterização dos módulos fiscais no Brasil, o relevo digital dos municípios brasileiros, a geografia da agricultura familiar no Brasil, os levantamentos da agricultura irrigada por pivôs centrais em Minas Gerais e em Goiás e, ainda, os livros "Chuvas em Minas" e "Servidores de Mapas com o Uso de Tecnologias Livres".
Esses trabalhos deram grande visibilidade para a equipe, cujos autores são hoje responsáveis pelos trabalhos com os maiores números de acesso/download da Embrapa Milho e Sorgo. Ultimamente, temos dado nossa contribuição em diferentes setores da sociedade. Em Minas Gerais, contribuímos com a Secretaria da Agricultura para a implantação do Projeto IrrigaMinas, em que nossa proposta metodológica foi adotada como oficial do governo para estudos sobre o uso e a ocupação dos solos. A consistência de nossos resultados com os estudos feitos pela Agência Nacional de Águas foi decisiva para a formação deste projeto de parceria institucional.

GG: Como funciona?
Daniel: A integração metodológica Google x SIG x Servidores de Mapas garante alta eficiência, precisão e rapidez nos estudos de geoprocessamento. No momento, estamos usando as imagens do satélite Landsat 8 da Nasa, cujos tempo de revisita de 16 dias e cobertura global permitem fácil acesso às informações desejadas. A perda do satélite nacional Cbers-3 deverá ser suprida com o lançamento da nova versão, com grandes avanços na precisão dos levantamentos remotos.

GG: Qual a importância do projeto?
Daniel: Ele está em consonância com a atual política da Embrapa de contribuir com as instituições governamentais para a formulação de políticas públicas e constitui ferramenta importante para a definição do uso eficiente da água, recurso cada vez mais escasso. Minas Gerais, por exemplo, estado considerado a "caixa-d'água" do Brasil, tem atualmente cerca de 50 bacias hidrográficas com conflitos acarretados pelo uso da água. Os levantamentos feitos pela Embrapa em 2010 mostraram a existência de mais de 300 mil hectares irrigados por pivôs centrais em Minas, cerca do dobro do levantamento feito pelo censo agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A localização geográfica das áreas irrigadas permite ainda relacionar os equipamentos de irrigação com características do solo e a bacia hidrográfica. Outros exemplos da importância deste trabalho referem-se aos subsídios para o estabelecimento de outorgas para o uso da água, determinação de marcos regulatórios sobre o uso da água em bacias hidrográficas, caracterização da "pegada hídrica" (definida como o volume de água total usado durante a produção e o consumo de bens e serviços, bem como os consumos direto e indireto no processo de produção. Os estudos sobre o que ocorre com a água nesses processos são de grande importância para definir o uso racional da água), monitoramento e previsão de safra etc.

GG: Quais as perspectivas futuras?
Daniel: Esta linha de trabalho abre oportunidade em vários campos de atuação. No momento, estamos empenhados em melhorar a combinação de bandas espectrais das imagens de satélite (imagens geradas a partir de sensores que capturam diferentes comprimentos de ondas refletidas pelos objetos terrestres. A combinação de bandas fornece recursos para a identificação de objetos-alvo como corpos d'água, áreas florestais, áreas urbanas etc., permitindo a obtenção de informações sobre o uso e a ocupação dos solos), melhoria da delimitação das bacias hidrográficas, levantamentos de equipamentos de irrigação ativos em tempo real etc..
A metodologia também permite fazer levantamentos do uso e da ocupação dos solos (cobertura florestal nativa, reflorestamentos, corpos d'água, áreas agrícolas, urbanas etc.) de modo rápido e com baixo custo. Outra perspectiva importante é contribuir para dotar a Defesa Civil de instrumento efetivo para as ações na defesa da vida e do patrimônio dos cidadãos brasileiros.

GG: Qual a previsão dos primeiros resultados do trabalho?
Daniel: A partir de abril de 2014, entregaremos os resultados de São Paulo e Mato Grosso e, até setembro, todos os demais estados da federação.

GG: Com o levantamento em mãos, que tipo de política pública ou benefício o governo poderá oferecer aos produtores rurais?
Daniel: Parâmetros para a outorga de água, definição de áreas prioritárias para investimentos (silos, estradas, portos secos etc.), estabelecimento de marcos regulatórios, mediação de conflitos pelo uso da água, previsão de safra, entre outros.

GG: Você acredita que haverá mais racionalização no uso da água, quando se souber, exatamente, a quantidade desse recurso que a agricultura brasileira usa via pivôs centrais de irrigação? Por quê?
Daniel: O Brasil tem um enorme potencial de aumento da produtividade agrícola com o uso das técnicas de irrigação. A agricultura irrigada permite aumentar em cerca de três vezes a produtividade por área, mas precisa de uma política adequada de gerenciamento dos recursos hídricos.
Para expandir a agricultura irrigada no Brasil, são necessários estudos sobre a oferta hídrica e o consumo. Sendo a agricultura responsável pelo consumo de cerca de 70% da água retirada dos cursos d'água, a quantificação dessas áreas é de grande importância para a formulação de políticas públicas. Os estudos climatológicos permitem inferir sobre a disponibilidade hídrica de uma região. A combinação bacia hidrográfica x oferta hídrica (clima) x demanda (consumo) é a base para o uso eficiente dos recursos hídricos.

Texto: Clenio Araujo (MG 06279 JP)
Jornalista da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Daniel Pereira Guimarães
Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

Contatos: www.cnpms.embrapa.br
Tel.: (31) 3027-1223
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

  COMENTÁRIOS  
 
Nome Completo
E-mail
Comentário
OBS.: Os comentários são previamente analisados antes de sua publicação.
 
 
 
 
  ESPAÇO DO LEITOR
 
imagem de envelope

Entre em contato com a equipe que produz o jornal eletrônico Grão em Grão. Sugira reportagens, temas para serem abordados nos artigos, eventos, enfim, emita seu ponto de vista sobre o jornal. Você tem duas maneiras de interagir conosco:

por e-mail: cnpms.nco@embrapa.br ou
por telefone: (31) 3027-1272

  CADASTRO
 

Para se cadastrar e receber nosso informativo via e-mail, clique aqui.

Acesse também o nosso jornal no endereço http://grao.cnpms.embrapa.br

Caso queira, a qualquer momento, cancelar o recebimento do informativo, clique aqui ou envie uma mensagem para cnpms.nco@embrapa.br solicitando a retirada de seu nome da lista de leitores.

  EXPEDIENTE
 

O jornal eletrônico Grão em Grão faz parte do Programa de Comunicação Organizacional da Embrapa Milho e Sorgo.

Supervisor do NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional): Guilherme Viana

Jornalistas responsáveis: Clenio Araujo (MG 6279 JP), Guilherme Viana (MG 06566 JP), José Heitor Vasconcellos (RJ 12914 JP) e Marina Torres (MG 08577 JP)

Desenvolvedor: Luiz Fernando Severnini

Programador Visual: Alexandre Esteves Neves

Edição: NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)

Revisão: Antonio Claudio da Silva Barros

Fotos desta edição: arquivo NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional) da Embrapa Milho e Sorgo, Olímpio Filho

Chefia da Embrapa Milho e Sorgo: Antônio Álvaro Corsetti Purcino (chefe-geral), Sidney Netto Parentoni (chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento), Jason de Oliveira Duarte (chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia) e Mônica Aparecida Nazareno (chefe-adjunta de Administração)

 
logo da Embrapa