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Perdas invisíveis na cultura do milho

Para garantir uma boa produção de milho, são necessários cuidados que começam no planejamento do plantio. Algumas atitudes simples são importantes para que o agricultor alcance o resultado final esperado. O pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Evandro Mantovani chama a atenção para perdas não contabilizadas pelos produtores que podem ser evitadas. Confira a entrevista.

O produtor percebe perdas na lavoura quando ocorrem problemas como ataques de pragas e doenças, mas o senhor afirma que existe também uma perda que pode nem ser percebida. Qual é essa perda de produção?

Normalmente, as perdas por ataque de insetos, doenças, etc. são realmente mais perceptíveis aos olhos do produtor. 

Durante a programação de plantio, o agricultor planeja um estande (número de plantas por hectare) para a sua lavoura de milho. Dependendo da forma como foram calculados o número de sementes e a regulagem da semeadora-adubadora (escolha do disco de plantio, velocidade de plantio, etc.), no início da colheita, ele tem um estande muito aquém do planejado.

Isso ocorre constantemente no campo e não é percebido pela maioria dos produtores, é o que chamamos de perdas invisíveis, porque, com o desenvolvimento da lavoura, o efeito é mascarado, e, na maioria das vezes, o produtor não mede o estande final de plantas.

Quais são os impactos econômicos dessa perda?

É fácil de calcular o impacto econômico dessa perda. Se planejarmos uma cultura com um estande de 70.000 plantas por hectare e o cálculo de semente e regulagem da semeadora falha, o resultado é um estande final reduzido, com 50.000 plantas por hectare.  Na maioria das vezes, esta perda não está sendo computada pelo agricultor, porque não é visível. Se pensarmos numa região de 1.000 hectares com a cultura do milho, com diferentes propriedades que foram semeadas com a mesma máquina, podemos fazer um cálculo para saber o impacto econômico.

Calculando a perda em 1.000 hectares:    

                                                                              Diferença = 20.000 plantas/ha

                                                                              Considerando uma espiga por planta

                                                                              Uma espiga média pesa  de  0,150 a 0,225 Kg

          Perda por hectare:  20.000 x 0,150 kg = 3.000 kg/ha

   Perda total: 1.000 ha x 3.000kg = 3.000.000 kg

= 50.000 sacos de milho

A perda total em 1.000 hectares é de 50.000 sacos de milho

Considerando o preço de R$ 23,66 por saca de milho (x 50.000), a perda é de = R$ 1.183.000,00

Preço de tratores de 60 hp = R$ 60.000,00

Com essa perda, seria possível comprar  20 tratores de 60 hp

Ou

Preço de carros populares = R$ 30.000,00

Com esta perda, seria possível comprar 40 carros populares.

Como esta perda não está contabilizada, estes valores passam despercebidos e o agricultor deixa de ganhar em produtividade e dinheiro para pagar os seus custos de produção.

Como deve ser calculado o número de sementes a serem plantadas por hectare? Quais fatores devem ser levados em consideração?

Como o poder germinativo é de 90%, se adicionarmos 10%, esta quantidade também estará com 90% de poder germinativo. Então, utiliza-se a regra de três inversa. Veja um exemplo:

Estande final desejado = 70.000 plantas por hectare

Poder Germinativo (PG) = 90%

Correção do número de sementes:  (70.000 x 100)/ 90 = 77.778 sementes

Além disso, durante o ciclo de uma cultura, podem ocorrer ataques de pragas, doenças na semente, falta de água, danos mecânicos durante o plantio. Quando não se tem um valor percentual para compensar a perda de plantas na área cultivada, em razão dos fatores mencionados acima, deve-se efetuar o plantio com uma densidade de sementes 10% acima do valor do estande final desejado. Vejamos, novamente, o exemplo:

77.778 x 10% = 7.778 sementes.

Então, o número de sementes a serem plantadas para se obter um estande final de 70.000 plantas por hectare será de:

77.778 + 7.778 = 85.556 sementes/hectare

Depois, o produtor deve coletar os dados referentes às perdas em sua lavoura e, no próximo plantio, aplicar a porcentagem adequada para obter o estande desejado.

Quais são os cuidados importantes durante o plantio?

Durante o plantio, o agricultor  deve se certificar de que a semente e o adubo estão sendo distribuídos adequadamente. Nos sistemas modernos, já existem sensores que são colocados nos tubos de saída e, através de um painel colocado na frente do tratorista, indicam por linha, através de um alarme sonoro e luz vermelha, quando há interrupção de distribuição, e a quantidade de hectares já semeados. Para os sistemas que não apresentam esta tecnologia, há necessidade de verificação constante, tanto da semente quanto do adubo, para evitar surpresas no final. Neste caso, um ajudante deve ficar junto à semeadora-adubadora para avisar ao tratorista quando houver problemas. Outra verificação é a profundidade da semente de milho, com regulagem de 5 cm para solos pesados e 8 cm para solos leves.

No caso do adubo, a verificação de aplicação deve ser feita para cada linha de distribuição dele. O peso de um determinado volume de adubo varia, dependendo do tipo e de sua umidade. Portanto, antes de começar outro dia de trabalho, deve-se verificar se o copo graduado para um determinado adubo está correto para as condições atuais desse produto, recalibrando o copo, se necessário.

Atualmente, há uma tendência de aumentar a densidade de plantio. Quais as consequências dessa tendência para a produtividade da lavoura?

O aumento do número de plantas por hectare e a redução do espaçamento da cultura do milho têm ocorrido nas principais regiões produtoras brasileiras. Isso tem sido possível por causa do material genético das cultivares lançadas no mercado e também pela necessidade de os agricultores aumentarem a produtividade. Neste contexto, a predominância de híbridos simples no mercado atual tem sido uma tendência, com sementes graúdas, de formato arredondado e de menor comprimento, e que têm facilitado a regulagem dos dosadores de distribuição a disco.

Pesquisas realizadas na Embrapa Milho e Sorgo mostram que o rendimento de grãos cresceu linearmente com o aumento da densidade de plantas, e no espaçamento de 0,50 m entre linhas, a produtividade apresentou uma maior amplitude, quando passou de 40.000 para 77.500 plantas por hectare.

Com isso, a disponibilização de híbridos para utilização com alta densidade, máquinas de plantio e colheita com espaçamento compatível para utilização em espaçamentos de 0,50 m e herbicidas para controle de plantas daninhas permitiram a adoção destes sistemas de produção.

Entretanto, ao se reduzir espaçamento e aumentar a densidade de plantio, a plantabilidade de milho precisa ter uma maior atenção, para se ter uma melhor distribuição das sementes em semeaduras de milho de alta densidade, tanto em profundidade quanto em relação à distância entre as plantas nas linhas e entre linhas, porque são fatores essenciais para aumentos significativos na produtividade do milho.

Entrevista: Marina Torres (MG 08577 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
www.embrapa.br/milho-e-sorgo
Tel.: (31) 3027-1272
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

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