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Aumento da fertilidade do solo e adoção de práticas conservacionistas são estratégias em cenário de seca

Construir a fertilidade dos solos, possibilitando aumento radicular das culturas e consequente acesso aos nutrientes e água, é uma das necessidades no cenário vivido hoje principalmente por agricultores das regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde as altas temperaturas e os períodos de estiagem estão mais frequentes. Segundo pesquisadores da Embrapa, um solo fisicamente adequado apresenta condições favoráveis ao crescimento radicular, com boa infiltração de água para evitar o escorrimento superficial e que não atinja altas temperaturas.

Emerson Borghi, do Núcleo de Desenvolvimento de Sistemas de Produção da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), explica que quanto mais altas as temperaturas maiores são as taxas de evaporação de água no solo e de transpiração da planta, o que resulta em degradação de raízes e morte de microrganismos. “Sem ar e água, a raiz não realiza suas funções. O modelo de produção adotado pode contribuir para degradar ou conservar. Daí a importância da presença da matéria orgânica”, afirma.

Segundo ele, o grande benefício desse composto é a retenção de água. O Sistema de Plantio Direto, por exemplo, impede que as temperaturas subam muito na superfície, reduz as perdas de água e estimula a atividade microbiana. “A simples presença de palha reduz em até 19 ºC a temperatura na superfície do solo. A cobertura diminui a temperatura tanto ao longo do dia quanto nos meses mais quentes do ano. O segredo é a rotação de culturas, diversificando espécies, e não a sucessão, simplesmente”, apresenta.

Solo: alicerce do sistema produtivo

A intensificação de cultivos no solo proporcionada pela rotação de culturas é fonte de nutrientes e de energia. A presença da palhada possibilitada por técnicas como o Plantio Direto ou a Integração Lavoura-Pecuária aumenta a porosidade, intensificando as trocas gasosas e a retenção de água. Resultados de experimentos conduzidos em 2015 na Embrapa Milho e Sorgo em áreas de ILP mostram que um esquema de rotação de lavouras é boa estratégia tanto para incrementar a produtividade vegetal e animal quanto para possibilitar colheitas “pelo menos razoáveis diante da ocorrência de veranico, que é um problema cada vez mais perceptível”. “O solo é o alicerce do sistema produtivo. Quanto maior o tempo de adoção de práticas conservacionistas, maiores serão os benefícios”, mostra o pesquisador.

Gestão e técnicas conservacionistas são estratégias

“Nesse contexto de escassez hídrica, a solução é a gestão, que deve ser permanente”, complementa o pesquisador João Herbert Moreira Viana, do Núcleo de Água, Solo e Sustentabilidade Ambiental da mesma Unidade da Embrapa. Ele defende que o desafio para a pesquisa é saber quando ocorrerão as mudanças e interpretar essas tendências. Na região Central de Minas Gerais, onde está localizada a Embrapa Milho e Sorgo, a média de precipitação anual é de 1.347 mm, sendo que a série histórica indica que existem anos mais secos. “A partir disso, temos que trabalhar com riscos, tanto para mais quanto para menos”, afirma.

O pesquisador acredita que para evitar os riscos já conhecidos provocados por técnicas inapropriadas de uso do solo, o agricultor deve ter seu foco voltado para a implantação de medidas preventivas de conservação. “O custo de não conservar é muito maior. A partir de um diagnóstico local, temos que implantar técnicas que possibilitem a perda de água por escoamento, que também provoca a perda do solo e dos seus nutrientes por erosão”, explica. “A água que você deixa de usar é um prejuízo que você não enxerga. A crise hídrica serve como alerta para que bons gestores se sobressaiam”, conclui o pesquisador.

 

Texto: Guilherme Viana (MG 06566 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Tel.: (31) 3027-1905
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

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Revisão: Antonio Claudio da Silva Barros

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