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Perspectivas econômicas para próxima safra de milho

Mudanças na economia nacional e em mercados externos. O produtor, atento às alterações dos preços e às previsões econômicas, toma decisões para o ano agrícola 2015/16. Mas, afinal, o que é possível antever para o cenário econômico da cultura do milho? Para responder a essa questão e entender melhor como funciona a lógica do mercado, o Grão em Grão entrevista o pesquisador Rubens Miranda, da área de Economia Agrícola, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

Grão em Grão - O que é possível esperar para o preço do milho na safra de verão 2015/16?

Rubens Miranda - Essa é uma questão complexa, e para não ser leviano na minha resposta, vamos seguir algumas etapas de raciocínio. Estimativas mais precisas do comportamento dos preços precisam de informações relativas às condições de oferta (quanto se tem de estoque e o que será produzido na nova safra) e demanda (consumo no país e as exportações). Nesse ponto, em relação aos estoques, já se tem a informação de aumento em relação ao ano anterior, passando de 11,8 milhões de toneladas para 14,7 milhões de toneladas, segundo dados da Conab. Tal ocorrência é uma fonte de pressão baixista nos preços, pois se a safra 2015/16 se igualar à atual, a oferta disponível de milho aumenta mesmo assim. No que se refere à produção propriamente dita, as projeções seguem uma série de etapas que são atualizadas conforme surgem novas informações. No início, de forma bem incipiente, surgem as pesquisas de intenção de plantio, realizadas por várias empresas, institutos e federações de agricultura. Posteriormente são disponibilizados dados da área plantada efetiva e a partir daí dá-se maior atenção ao clima, que vai impactar a produtividade da lavoura. Há também outros fatores que são mais difíceis de avaliar, mas que também são importantes, como o custo de produção, por exemplo. Isso porque aumentos dos custos podem levar os produtores a investir menos na lavoura, decisão que também dependerá da expectativa dos preços recebidos no futuro, o que poderá reduzir a produtividade, com tudo mais constante. Este nada mais é do que o cenário atual, mas que discutiremos adiante. Os levantamentos da área plantada de milho na primeira safra de 2015/16 ainda estão nas preliminares, mas um fator a ser observado é a relação de preços da soja e do milho, que disputam área no verão. Os preços médios da soja no Brasil aumentaram mais do que os do milho em relação ao ano passado. Isso pode induzir os produtores a plantar mais soja no lugar do milho no próximo verão. Além da oferta discutida até o momento, há de se observar também as condições de demanda interna e externa. Internamente olha-se o grande mercado consumidor que é o produtor de carne, principalmente o de frango. A demanda externa consiste nas exportações (que também dependem de uma série de fatores), e atualmente espera-se um valor recorde de vendas em 2015, decorrente de problemas na safra europeia de milho. Assim, no momento, vemos fatores indicando a queda nos preços e também indicando aumento nos preços. A grande dificuldade é pesar esses fatores para termos uma ideia mais clara sobre o comportamento dos preços. Por fim, enquanto todas essas informações não se cristalizam, uma boa forma de antever os preços adiante é olhar as negociações dos mercados futuros. Nesse caso, os preços para entrega do milho no final do ano têm aumentado tanto na Bolsa de Chicago (Estados Unidos) como na BM&FBovespa (Brasil). No momento, o preço da saca de milho para entrega em novembro de 2015 está acima de R$ 35,00, sendo que em maio e junho os contratos para entrega no referido mês estavam na faixa de R$25,00. Ou seja, analisando todas as informações disponíveis é possível antever que os preços estarão melhores que os vigentes no decorrer da safra verão 2014/15.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) solicitou ao Ministério da Agricultura (Mapa) reajuste de 28,2% do preço mínimo do milho estabelecido para o estado. Atualmente, o valor previsto pela Política de Garantia de Preços Mínimos estabelecida pela Conab é de R$ 13,56/saca e passaria para R$ 17,39/saca. Esses reajustes devem ocorrer?

Já faz algum tempo  que a Famato e o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) buscam a equalização dos preços mínimos do Mato Grosso com os dos seus estados vizinhos (Mato Grosso do Sul e Goiás). Atualmente o preço mínimo do milho em Mato Grosso do Sul e Goiás está em R$ 17,67. O argumento do novo pedido de reajuste da Famato se deve ao aumento dos custos de produção decorrente da depreciação cambial. Isso ocorre pelo simples fato de que a maior parte dos fertilizantes consumidos no Brasil é importada. Agora, se o Mapa vai acolher ou não o atual argumento da Famato, só o futuro dirá.

A área plantada no País deve diminuir? Alguns institutos de pesquisa indicam previsão de redução na área cultivada com milho e aumento do plantio de soja.

É preciso tomar cuidado com essa pergunta, pois uma redução da área plantada com milho no verão pode ser compensada com o aumento da área plantada no inverno. Como dito antes, a recente variação da relação de preços do milho e da soja mais favorável à oleaginosa pode levar a diminuição da área plantada de milho na próxima safra verão. Entretanto, nada impede um aumento proporcionalmente maior da área plantada da segunda safra de milho, algo que vem ocorrendo com frequência nos últimos anos.

Como a valorização do dólar frente ao real pode interferir na produção de milho na safra 2015/16?

É preciso ter cautela na análise do impacto cambial sobre a produção. De um lado, há o impacto na receita das exportações (o produtor recebe mais reais por cada dólar exportado), além de deixar o milho brasileiro mais competitivo (como a receita em reais vai aumentar é possível vender a produção por menos dólares). O incremento das exportações (que é um aumento da demanda externa) impacta positivamente os preços domésticos do milho, o que pode estimular a produção quando analisamos de forma isolada. O problema é que a soja, a principal concorrente do milho no verão, é mais exportada em termos absolutos e em relação à produção. Enquanto o milho exporta 30% da produção doméstica, a soja exporta mais de 50%, ou seja, a oleaginosa tem se beneficiado mais da depreciação cambial. Por outro lado, a perda de valor do Real impacta negativamente os custos de produção. Isso porque os fertilizantes, importante item de custo, são predominantemente importados. Em 2014, 73% dos fertilizantes intermediários consumidos no país foram importados. Ou seja, a depreciação cambial beneficia diretamente a receita dos exportadores, mas o ônus sobre os custos de produção afeta quase todos os produtores e assim é difícil analisar o impacto de tudo sobre a produção.

Além da questão cambial, quais fatores do cenário externo podem interferir no mercado de milho?

Talvez a informação mais importante seja o que está acontecendo nos grandes mercados. A produção nos Estados Unidos vai aumentar ou diminuir? E a Ucrânia? Argentina? A safra ruim da Europa, por exemplo, viabilizará o aumento das exportações brasileiras e a sustentação dos preços do milho no Brasil. Outro fato que merece atenção é o impacto da desaceleração da economia chinesa na aquisição de commodities. Os chineses não compram milho em grandes quantidades, mas são os maiores compradores mundiais da soja. Caso decidam comprar menos soja, os preços da oleaginosa cairão. Nessa situação, o consumo do milho poderia cair, pois o cereal seria trocado pela soja. Isso é só um exemplo. Particularmente acho improvável que o cenário da China afete de forma considerável o consumo de alimentos, mas o mesmo não pode ser dito em relação aos minérios. Além do que o governo chinês tem dado atenção especial a sua política de segurança alimentar. Mesmo assim, precisamos ter atenção ao que está acontecendo lá.

Entrevista: Marina Torres (MG 08577 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Tel.: (31) 3027-1272
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

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