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Embrapa realiza Workshop “Nichos de mercado para o setor agroindustrial” em Belo Horizonte

O Workshop "Nichos de mercados para o setor agroindustrial" reuniu cerca de 200 pessoas, em Belo Horizonte-MG, para debater aspectos técnicos, legais e mercadológicos sobre temas específicos: " Biofábricas - base para o Manejo Integrado de Pragas";  "Sementes e mudas de espécies florestais nativas"; "Milhos especiais (milho-verde e milho-doce)"; e "Farinha de sorgo (sem glúten)".

Organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de suas Unidades Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) e Embrapa Produtos e Mercado (Brasília-DF), sob a coordenação do Escritório de Negócios de Sete Lagoas, o evento aconteceu nos dias 1º e 2 de dezembro, no auditório da Superintendência Federal de Agricultura de Minas Gerais (SFA-MG).

De acordo com o gerente geral da Embrapa Produtos e Mercados, Frederico Ozanan Machado Durães, o workshop reuniu pesquisadores, empresários e representantes de empresas públicas e privadas, de associações e sindicatos de produtores,  no intuito de informar e discutir oportunidades comerciais e de cooperação técnica em temas selecionados para os segmentos de alimentação humana, planejamento de biofábricas e sobre a cadeia produtiva de sementes e mudas de espécies florestais nativas. "O encontro visou criar oportunidades para geração de negócios, uma vez que reuniu empresários da indústria e do varejo com representantes do governo e de empresas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I)", disse.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino, chamou especial atenção ao primeiro tema a ser discutido no workshop, biofábricas. "A Embrapa Milho e Sorgo já tem uma equipe que trabalha com o controle biológico de pragas, e uma biofábrica instalada no laboratório supervisionado pelo pesquisador Ivan Cruz. O controle biológico contribui para a redução do uso de agroquímicos na agricultura e reduz o custo de produção", afirmou.

O gerente do Escritório de Negócios de Sete Lagoas e coordenador do evento, Reginaldo Resende Coelho, disse que o workshop buscou reunir os representantes dos diferentes elos das cadeias produtivas de cada tema abordado. "Com isso, demandas, gargalos e oportunidades puderam ser expostos e discutidos, com foco em mercado. Além disso, foi uma oportunidade de estreitar o relacionamento entre as diferentes empresas do setor e a Embrapa, com o compromisso de dar continuidade ao trabalho pós-evento, tão importante quanto o evento em si", pontuou. Reginaldo ressaltou que "a parceria entre as Unidades da Embrapa foi fundamental para o acontecimento do workshop, uma vez que, com ela, foi possível propor, programar e organizar o evento, em curto espaço de tempo e em época de escassez de recurso".

A solenidade de abertura do evento contou, também, com a presença do superintendente Rubens Soalheiro de Oliveira Matos, da Superintendência Federal de Agricultura no Estado de Minas Gerais (SFA-MG).

 Biofábricas - base para o Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Durante os dois dias do workshop, a apresentação dos temas foi divida em quatro blocos. Para tratar do primeiro assunto "Biofábricas - base para o Manejo Integrado de Pragas (MIP)", foram convidados 4 palestrantes: Ivan Cruz e João Carlos Garcia, pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo; Lécio Caneco, diretor técnico da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio); Fauze Elias Pena de Sairre, analista de qualidade da Associação Mineira de Produtores de Algodão (Amipa); e Adalberto Lúcio Borges, da empresa ALB Agroambiental.

Em sua apresentação, Ivan Cruz afirmou que as biofábricas auxiliam no controle biológico de pragas e que, para fazer o planejamento, o produtor precisa ter foco na paisagem agrícola de sua região, ao invés de visar apenas uma cultura. "A ideia é buscar o equilíbrio do sistema agrícola. Quando trabalhamos um sistema de produção mais sustentável, podemos obter melhores resultados. E o controle biológico é uma alternativa", disse.

Lécio Caneco falou sobre o "Controle biológico - a sustentabilidade do agronegócio". Ele definiu o controle biológico como um novo patamar importante para a agricultura brasileira e destacou um dos objetivos da ABCBio: "Promover o controle biológico como uma técnica moderna e eficiente, para a obtenção de produtos menos agressivos ao meio ambiente e ao homem".

Fauze Sairre e Adaberto Borges falaram sobre a instalação de biofábrica em Uberlândia-MG, onde é multiplicado o Trichogramma. "A biofábrica foi idealizada a partir do aparecimento da Helicoverpa armigera no Brasil, praga que causou vários prejuízos aos nossos associados. E para esse empreendimento fizemos uma parceria com a Embrapa", disse Fauze, destacando também que "a biofábrica está aberta para fazer novas parcerias".  Adalberto falou sobre o objetivo da ALB Agroambiental que é a produção de Trichogramma a partir do ovo do hospedeiro Anagastha kuheniella. Ele apresentou o esquema de produção e ressaltou os cuidados para manter a colônia de insetos no local. "Os cuidados no manejo visam propiciar a estabilização da produção já no início da instalação da biofábrica", afirmou.

O tema "Modelo de negócio para licenciamento de tecnologias de controle biológico - multiplicação de Trichogramma em biofábrica" foi apresentado por João Carlos Garcia. Após fazer a descrição da tecnologia, ele explicou que o ativo a ser licenciado pela Embrapa são conhecimentos que a Empresa detém sobre o uso correto da vespa Trichogramma pretiosum para a utilização em atividades de controle biológico de pragas, incluindo a metodologia de multiplicação em ambiente de fábrica e a inserção no ambiente agrícola. "A Embrapa transfere os ativos em caráter não exclusivo para a empresa licenciada" explicou.

Sementes e mudas de espécies florestais nativas

A palestra "Código Florestal vigente e sua aplicabilidade em Minas Gerais" foi ministrada pelo professor Sebastião Renato Valverde, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (DEF/UFV). Após explicar os aspectos legais do Código, ele falou sobre as oportunidades para o mercado de sementes e de mudas. "Este mercado visa atender a recomposição das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e as reservas legais, para grandes empresas rurais e florestais; o reflorestamento como medidas compensatórias; plantações e reposições comerciais; recuperação de danos ambientais; e atividades de paisagismo", disse.

O analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Marcelo Massaharu Araki, apresentou o Sistema Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) e falou sobre a produção de sementes e  mudas para recuperação de áreas de nascentes, matas ciliares, topo de morros e pastagens degradadas em Minas Gerais: "O estado conta com 75 viveiros de produção de mudas nativas e 250 viveiros particulares inscritos no Sistema Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), distribuídos em 120 municípios", afirmou.

Em seguida, Cleber Maia, da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig ) apresentou o Programa Plantando o Futuro. "É um projeto do governo de Minas Gerais que tem o objetivo de viabilizar a produção de 30 milhões de mudas de árvores até 2018. Além disso, procura difundir e operacionalizar o plantio e integrar as ações novas ou já existentes na administração pública estadual".

A fiscal da SFA-MG, Silvana Rizza Ferraz e Campos, abordou o tema "Aspectos técnicos da Lei Nacional de Sementes e Mudas (SNSM) e sua aplicação no segmento de espécies florestais nativas". A SNSM objetiva garantir a identidade e a qualidade do material de multiplicação e de reprodução vegetal, produzido, comercializado e utilizado em todo o território nacional. "Esta lei estabelece as questões legais para a produção de sementes e mudas. Toda a responsabilidade de produzir sementes e mudas é do produtor e a ele cabe zelar pelo controle da qualidade", orientou.

Para falar sobre o mercado nacional de mudas, foi convidado o diretor de planejamento da Rupestris Tecnologia e Produção Vegetal, Alex Ferreira de Freitas. A empresa é vinculada ao parque tecnológico da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). Alex falou sobre a demanda de mudas nativas para compensação florestal. Ele destacou a relevância da produção no Brasil e a oferta de mudas para a restauração florestal. "É preciso organizar essa cadeia produtiva, para que a atividade seja sempre profissional. E constituir metas de produção para fomentar políticas públicas para o desenvolvimento tecnológico sustentável de sementes e mudas", afirmou.

Milhos especiais - Milho-verde e milho-doce

Para abordar este tema foram convidados o supervisor de desenvolvimento de produtos da Riber KWS Sementes, Dimas Cardoso, a administradora da Oca do Milho, Luana de Paula Magalhães, o coordenador da Seção de Assuntos Estratégicos da Central de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas), Tarcísio Fernandes Caetano, e a empresária Maria Felícia de Lima.

Dimas Cardoso abordou os "Aspectos mercadológicos da cadeia de milhos especiais". Segundo ele o mercado de milhos especiais atende a um nicho de mercado. "As empresas deveriam ter mais atenção com os nichos de mercado, porque isso é uma tendência do futuro. Essa é uma grande oportunidade para as empresas, pois há uma tendência muito grande para crescerem com os milhos especiais, não só com o milho-verde, mas com o milho-doce, milho "waxy" (milho ceroso), milho de pipoca. Ele enfatizou que as empresas precisam de um levantamento oficial de mercado para justificar o investimento. "O futuro é importante porque o mercado de nichos está também muito ligado a pequenas e médias indústrias e à agricultura familiar".

Luana Magalhães falou sobre o aspecto mercadológico do milho-verde dentro da Oca do Milho. Nesta empresa, o milho é processado para a produção de pamonha, mingau, sucos e bolos. Além de se preocupar com o padrão do milho-verde fornecido pelos produtores, a empresa busca a excelência no relacionamento com seus clientes. "Procuramos sempre fidelizar os nossos clientes, não só com a qualidade dos nossos produtos, mas com a qualidade no atendimento, a qualidade do ambiente e dos serviços oferecidos", disse.

O tema abordado por Tarcísio Caetano foi a "Logística de distribuição e comercialização do milho-verde e opções de mercado na CeasaMinas". De acordo com um levantamento realizado em 2014, a CeasaMinas possui aproximadamente 122 produtores de milho-verde cadastrados. Tarcísio enfatizou que o milho-verde é 19º produto mais comercializado na CeasaMinas. Sendo que no período de 2005 a 2014, a oferta total deste produto, no local, variou de 10 a aproximadamente 13 mil toneladas. Porém, em 2014, houve uma queda da produção, por causa do longo período de estiagem. "A expectativa é que a oferta de milho-verde na CeasaMinas em 2015 fique em torno de 11 mil toneladas, volume estimado em 9 milhões e meio de reais", afirmou. Ele destacou também que 99,6% do milho-verde ofertado na CeasaMinas é produzido em Minas Gerais e é comercializado no Mercado Livre do Produtor da Ceasa eminentemente por agricultores familiares.

Maria Felícia, empresária do setor de comercialização de milho-verde e de produção de hortifrutigranjeiros, explicou que os grandes processadores de milho se abastecem com a orientação dos corretores. "Para trabalhar com milho-verde deve haver uma programação. E isso se dá por meio do corretor". Além disso, ela chamou a atenção para a qualidade do milho: "o produto precisar ser bom, e de boa qualidade". E quanto ao milho-doce, Maria Felícia disse que, hoje, este produto está entrando no mercado como milho de mesa: "é um milho saboroso e gostoso de comer cozido, refogado ou na salada".

Farinhas de sorgo (sem glúten)

A pesquisadora Valéria A. Vieira Queiroz iniciou a quarta etapa do Workshop Nichos de Mercado, em Belo Horizonte, abordando o tema "Uso da farinha de sorgo na fabricação de produtos para alimentação humana". De acordo com a pesquisadora, o sorgo é um cereal sem glúten, por isso é uma alternativa para a fabricação de farinha integral, para o preparo de produtos de panificação e de confeitaria para indivíduos celíacos, ou que possuem algum grau de intolerância ao glúten.

Valéria explicou que algumas cultivares de sorgo apresentam também no pericarpo compostos bioativos, com elevada capacidade antioxidante, tais como taninos, antocianinas, flavonas, flavanonas e ácidos fenólicos. "Estes compostos promovem efeitos desejáveis na saúde humana", pontuou, explicando que não são todas as cultivares de sorgo que possuem o tanino.

O pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro ), Carlos Wanderley Piler de Carvalho, falou sobre "A  farinha de sorgo" e do processo de fabricação da farinha. Ele considera que a ideia principal é a possibilidade que o sorgo traz de ser um produto alternativo para a produção de farinha sem glúten. "A farinha é a nossa matéria-prima básica. E o que é superinteressante no sorgo é que a gente não teve o desafio de tirar o pericarpo, ou seja, essa pequena camada externa do grão. No pericarpo, conforme explicado pela pesquisadora Valéria, é onde se apresenta um altíssimo teor de compostos bioativos. Então o sorgo é consumido no todo. E ao consumir o todo agrega mais benefícios à saúde", explicou.

Para falar sobre o "Mercado potencial da farinha de sorgo no Brasil", foram convidados os empresários Vilber Stein, da Campofert Soluções Agro, e Luana Stein, da Farovitta Superfoods .

 Vilber considera o sorgo um cereal nobre. "A Campofert veio aqui com muitas expectativas e vontade de difundir informações e também aprender muito. Consideramos de grande magnitude participar desse projeto de divulgação da farinha de sorgo", pontuou.

"A Farovitta identificou no sorgo um grande potencial, por ser um cereal sem glúten, altamente nutritivo e de fácil utilização na culinária", explicou Luana Stein. A empresa é parceira da Campofert e é alicerçada em pesquisas da Embrapa e de outros órgãos internacionais.

O Workshop "Nichos de mercado para o setor agroindustrial" foi promovido pela Embrapa, por meio de suas Unidades Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) e Embrapa Produtos e Mercado (Brasília-DF), sob a coordenação do Escritório de Negócios de Sete Lagoas, com o patrocínio da Campofert, Favovitta, Isla, JB Biotecnologia e Oca do Milho.

Texto: Sandra Brito (MG 06230 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Tel.: (31) 3027-1223
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

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