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Pesquisa demonstra que adubos organominerais associados a microrganismos são alternativa ao uso de fertilizantes químicos

O uso de fontes alternativas de adubação pode permitir aos produtores alcançar maiores rendimentos. E essas fontes podem ser encontradas na própria fazenda, inclusive com o aproveitamento de resíduos que causam impactos ambientais, caso não tenham destinação adequada. A produção de adubos a partir de resíduos, como a cama de frango, estercos e restos de culturas, pode ainda ser enriquecida com a mistura de uma fonte mineral, como o pó de rochas. Assim são feitos os fertilizantes organominerais, aos quais podem ser adicionados microrganismos solubilizadores, como bactérias que aumentam a disponibilidade de nutrientes para as plantas.

Essa alternativa de fertilização vem sendo testada pela Embrapa. Trata-se do uso combinado de microrganismos, resíduos orgânicos e pó de rochas como fonte de fósforo e potássio. Dessa forma, é possível somar a eficiência do fertilizante orgânico com a do mineral, e potencializar a eficácia do produto pela atividade microbiana, a fim de suprir, de maneira adequada, as exigências nutricionais das culturas, visando substituir parte dos adubos sintéticos.

Um exemplo de resíduo gerado nas propriedades rurais que requer destinação adequada é a cama de frango, mistura de dejetos, penas e sobras de ração com o material utilizado como substrato que forra o piso de aviários. Durante muito tempo, esse resíduo da criação de frangos era utilizado como complemento na alimentação do gado bovino, mas esse uso foi proibido pelo Ministério da Agricultura (Instrução Normativa nº 8, de 2004, do Mapa). Uma alternativa de destinação desse material é seu reaproveitamento como adubo.

A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Christiane Paiva explica que a cama de frango pode passar por compostagem para ser usada na adubação, a fim de que ocorra a disponibilização dos nutrientes de forma mais eficiente do que quando usada in natura.

Dessa forma, obtém-se um composto orgânico como fonte alternativa de adubação, e esse material ainda pode ser enriquecido. "O produto que resulta da compostagem tradicional não tem alto teor de fósforo ou potássio", comenta a pesquisadora. Daí, a proposta de se trabalhar com fertilizantes organominerais. "A ideia é adicionar rochas aos compostos orgânicos. Além disso, para acelerar o processo de decomposição e liberação de minerais, são adicionados microrganismos solubilizadores. Esses microrganismos tornam mais eficiente o processo de disponibilização dos nutrientes".

Os microrganismos solubilizadores podem ser adicionados durante a compostagem, na produção dos fertilizantes organominerais, ou podem ser usados no momento do plantio. Neste caso, são aplicados no sulco, por cima do adubo organomineral.

Um experimento conduzido pela equipe da Embrapa Milho e Sorgo utilizou a adubação organomineral em associação com microrganismos solubilizadores de fósforo no cultivo de milheto. O estudo demonstrou que a utilização dos microrganismos solubilizadores pulverizados no plantio resultou em maior crescimento das plantas, maior extração de nutrientes e maior disponibilidade de fósforo no solo.

Christiane explica que a pesquisa demonstra o potencial de utilização desses microrganismos em associação com rochas fosfatadas como alternativa ao uso de fertilizantes convencionais. "Como na agricultura altas doses de fósforo precisam ser adicionadas ao solo por meio de fertilizantes químicos, suprir, mesmo que parcialmente, essa demanda fazendo uso de adubos organominerais, adicionados de microrganismos solubilizadores, é contribuir para a sustentabilidade agrícola", afirma a pesquisadora.

Entenda a pesquisa

No experimento, foram feitos cultivos de milheto, adubados ou não com composto organomineral em doses crescentes, com pré-inoculação ou inoculação no sulco de plantio de microrganismos solubilizadores de fósforo. "O milheto foi usado como planta-teste, pois é uma gramínea que extrai muitos nutrientes do solo", explica Christiane Paiva.  Após o plantio, foram coletadas amostras de solo para análises químicas e biológicas, e também parte aérea e raiz para determinação de massa seca.

A fonte de fósforo utilizada foi o Fosfato de Araxá, que foi misturado a esterco bovino, cama de frango e cana picada (parte orgânica). Essa mistura foi colocada em duas pilhas e deixada para compostagem. Em uma das pilhas foi realizada a pré-inoculação de microrganismos solubilizadores. A mistura da outra pilha recebeu a inoculação com os microrganismos solubilizadores apenas no sulco de plantio.

Foram utilizados microrganismos que pertencem à Coleção de Microrganismos da Embrapa Milho e Sorgo, bactérias selecionadas em experimentos anteriores, sendo classificadas como eficientes na biossolubilização. Para preparo do inoculante, as bactérias crescem num meio de cultura, um caldo nutriente. O inoculante foi aplicado na forma líquida, sendo pulverizado na leira de compostagem ou sobre o composto durante a adubação no sulco de plantio.

Foram avaliados massa seca e nutrientes da parte aérea e das raízes das plantas e também o teor de fósforo disponível no solo. Observou-se a superioridade dos tratamentos com fertilizantes organominerais inoculados no plantio, seguidos dos tratamentos com compostos organominerais pré-inoculados ou sem inoculação.

Experiência com hortaliça

O uso de fertilizante organomineral com microrganismos também já foi testado em sistema orgânico de produção de alface.

Durante curso de mestrado da Universidade Federal de São João del-Rei, o técnico da Emater-MG Adenilson de Freitas realizou pesquisa sobre a produção de compostos orgânicos enriquecidos com rochas e inoculante microbiano na cultura da alface.

Adenilson foi orientado pelo pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Ivanildo Evódio Marriel e avaliou a eficiência agronômica dos compostos. Concluiu que a incorporação de rocha fosfática e potássica e inoculante microbiano contribuiu para a melhoria da qualidade dos compostos como fonte de nutrientes para a cultura da alface, em sistema orgânico de produção.

Os experimentos foram conduzidos em Capim Branco-MG, onde Adenilson atua como extensionista. O município é um dos principais polos de produção e fornecimento de hortaliças da região metropolitana de Belo Horizonte, com certificação de produtos orgânicos. Lá, agricultores já têm adotado a tecnologia dos fertilizantes organominerais com inoculação de microrganismos, como alternativa ao uso de adubos químicos.

Saiba mais

A adubação é um dos fatores mais importantes para o alcance de boas produtividades na agricultura, e os gastos com fertilizantes podem representar cerca de 30% do custo de produção de uma lavoura. Dessa forma, o fornecimento de nutrientes é um componente do sistema de cultivo que pode impactar substancialmente a rentabilidade da atividade agrícola.

  

Texto: Marina Torres (MG 08577 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Tel.: (31) 3027-1272
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

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