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Sistemas integrados de produção exigem conhecimento para mais rentabilidade

Sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária e esquemas de sucessão e rotação com intensificação de culturas, podem maximizar a produtividade e o uso dos recursos naturais, mas demandam conhecimento técnico por parte do agricultor. O controle de pragas, por exemplo, deve ser pensado de maneira mais ampla, tendo em vista os sistemas adotados. “Com o uso intensivo das áreas, temos várias pragas que são polífagas. Insetos que atacavam até então uma cultura passaram a ter importância em outros cultivos. É o caso do percevejo barriga-verde, característico da soja, e que hoje é praga do milho segunda safra, em função do plantio do cereal em sucessão à leguminosa”, analisa a pesquisadora Simone Martins Mendes, da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

Segundo ela, o produtor deve se preocupar com pragas das culturas como um todo. “O que você faz numa cultura para controlar as pragas pode ter efeito na outra. Essa é a prática de manejo que deve ser adotada nos sistemas”, explica. Um exemplo é a lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, que se alimenta de várias plantas hospedeiras e inclusive de algumas plantas daninhas, como a buva (leia aqui matéria sobre o assunto). “Se não há controle adequado de plantas daninhas numa área, e o milho é plantado nela, a lagarta aparece antecipadamente. Com a braquiária, sendo utilizada como planta de cobertura, pode acontecer a mesma coisa. Há necessidade de se fazer a desseca antecipada para interromper o ciclo do inseto”, afirma.

As instabilidades climáticas têm agravado a ocorrência das pragas e de doenças nas lavouras brasileiras. Os enfezamentos causados por molicutes e espiroplasmas transmitidos de uma planta de milho doente para uma planta sadia por um único inseto-vetor, denominado de cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), podem ser considerados um dos principais problemas enfrentados pelos agricultores desde a safra passada. “Onde se plantou milho RR aparecem dificuldades de se controlar o milho tiguera, que pode servir de reservatório do inseto e, consequentemente, dos enfezamentos para outros cultivos de milho nas imediações”, explica a pesquisadora.

Em relação às cultivares transgênicas Bt, cuja adoção em 2016 chegou a 88,4% do milho plantado no País, segundo dados do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), das seis proteínas com ação inseticida, uma (Cry 1F) já perdeu sua efetividade. “A da área de refúgio é necessária para que haja redução da chance de quebra da resistência, com plantio de no mínimo 10% da área plantada com milho convencional. Deve também ser próxima da área semeada com milho Bt, pois a distância média do voo das mariposas é de 800 metros. A grande questão hoje é como prorrogar a validade e eficácia dos transgênicos”, alerta Simone Mendes. Já para o controle da cigarrinha-do-milho, algumas medidas são tratar especificamente as sementes com inseticida e evitar o plantio de cultivares suscetíveis e em plantios escalonados (veja outras recomendações aqui).

Plantas daninhas

Para melhor controle, uma das recomendações dos pesquisadores é utilizar a braquiária como planta de cobertura durante o período de pousio e realizar sua dessecação anterior ao semeio da cultura de interesse econômico. “A braquiária se caracteriza como uma interessante alternativa de planta de cobertura por reduzir a incidência do capim-amargoso e da buva, duas das principais plantas daninhas do Cerrado que podem causar perdas na produtividade de grãos”, explica Alexandre Ferreira da Silva, pesquisador da área de Plantas Daninhas.

Segundo ele, essas duas espécies apresentam biótipos (indivíduos) resistentes ao glifosato e/ou a outros herbicidas de diferentes mecanismos de ação. A utilização somente de herbicidas para o controle dessas espécies pode onerar demasiadamente o custo na propriedade. Em área experimental da Embrapa Milho e Sorgo, onde foi realizada a sobressemeadura da braquiária ao final do ciclo da soja, mesmo sem um regime hídrico favorável que contribuiu para menor porcentagem de cobertura do solo, a população de plantas daninhas no período de entressafra foi muito menor que na área deixada em pousio após a colheita da soja.

Fertilidade do solo

Solo coberto é sinônimo de benefícios. Segundo o pesquisador Álvaro Vilela de Resende, da área de Solos e Nutrição de Plantas, o sistema plantio direto bem estabelecido permite que as raízes se aprofundem mais, “incorporando carbono e favorecendo a busca por água e nutrientes, além de incentivar a atividade microbiana”, explica. Após o devido condicionamento com correção da acidez e adubações, de acordo com Resende, o aprofundamento das raízes contribui para manter o chamado “perfil de alta fertilidade”, no qual os solos armazenam mais água e matéria orgânica, além de nutrientes essenciais. Em algumas situações, essa melhoria é tão expressiva que permite ao produtor reduzir ou até mesmo deixar de adubar por uma ou mais safras, sem perdas significativas de produtividade (leia matéria aqui).

A intensificação dos sistemas aliada a práticas de manejo conservacionista pode ser estratégia para produzir em condições de estresse hídrico. De acordo com o pesquisador Emerson Borghi, da área de Fitotecnia, a ideia da intensificação é trazer ganhos de produção na área ao longo do ano. Segundo ele, os benefícios são a possibilidade de produção de grãos ou silagem com uma forrageira subsequente para pastejo, tendo ainda o maior armazenamento de água e de nutrientes e a descompactação do solo como fatores para melhoria do potencial produtivo da área (saiba mais sobre o assunto).

Os temas foram tratados durante a última edição da Semana de Integração Tecnológica da Embrapa Milho e Sorgo e este seminário contou com o apoio da Fundação Agrisus.

 

Texto: Guilherme Viana (MG 06566 JP) 
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Tel.: (31) 3027-1905
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br 

 

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