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Sorgo sacarino pode colaborar para aumento da oferta de etanol

É comum, no Brasil, a falta de etanol nos postos de combustíveis em parte do ano - geralmente, nos meses de março a maio. A causa é a conhecida entressafra da cana-de-açúcar, principal cultura agrícola que gera etanol no país. Nesse período, as usinas ficam praticamente paradas e a produção é mínima. É preciso, portanto, que haja opções viáveis à cana para produção de etanol, visando a acabar ou ao menos diminuir essa falta do combustível. A cultura do sorgo sacarino se apresenta promissora.

Um trabalho desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) com usinas de grande porte tem, desde o ano passado, mostrado bons resultados. Inicialmente, quatro usinas de quatro estados diferentes (São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás) procuraram a empresa em busca de informações sobre o sistema de produção de sorgo sacarino. De acordo com André May, pesquisador dessa área, todas as usinas ficaram satisfeitas com o retorno que obtiveram. A parceria envolveu também a Embrapa Agroenergia (Brasília-DF). Para a próxima safra, a expectativa é de que mais quatro usinas tornem-se parceiras da empresa nesse trabalho.

Baseados nas demandas de cada usina, os pesquisadores da Embrapa de diferentes áreas iam até elas levando informações que pudessem ajudar a resolver os problemas. Foi um trabalho, além de construção de um sistema de produção para o sorgo sacarino, de transferência de tecnologia. Atualmente, a Embrapa possui uma cultivar, chamada BRS 506, e prepara para a próxima safra o lançamento de duas outras: a BRS 508 e a BRS 511. Antes da parceria com as usinas, a área plantada com a BRS 506 era praticamente nula; hoje, há cerca de 700 hectares plantados.

As médias conseguidas ficaram entre 40 e 50 toneladas de colmo por hectare e entre 62 e 70 litros de etanol por tonelada de colmo. Fazendo-se as contas, a média obtida pelas usinas parceiras ficou entre 2.480 e 3.500 litros de etanol por hectare. Uma vantagem do sorgo sacarino é que ele mantém a qualidade por cerca de 30 dias no campo, tempo superior à média de outras culturas agrícolas. E, em microdestilarias gaúchas, tem-se conseguido um potencial de produtividade de 5.000 litros de etanol por hectare, com a moagem de toda a planta.

Potencial - André afirma que o sorgo sacarino já é uma opção viável para a produção de etanol, mas apenas na entressafra da cana, como cultura complementar. A expectativa é de que os custos de produção, no segundo ano da parceria com as usinas, caiam, já que agora há mais conhecimento em relação ao manejo do sorgo sacarino. Assim, a lucratividade tende a ser maior do que a verificada no primeiro ano, que chegou a até R$ 1.125,00 por hectare.

Um problema que hoje ocorre é que há plantio de cultivares de sorgo para produção de etanol que não são específicas para esse objetivo. Ou seja, nem sempre o sorgo que se planta é sacarino. Com isso, a tendência é de baixa produção, o que pode passar uma imagem negativa. Mas a parceria da Embrapa com as usinas tem mostrado grande potencial, quando se plantam cultivares adequadas e quando se conhece e se pratica bem o manejo da cultura.

O pesquisador da Embrapa entende que "o interesse pelo sorgo sacarino deve evoluir anualmente, podendo atingir cerca de 300.000 hectares em poucos anos, dependendo do sucesso no cultivo da espécie dentro das usinas de cana. Assim, o volume de etanol a ser gerado na entressafra de cana passa a valores bastante significativos, ainda mais se for considerado que nesse período há carência do produto no país".

E o que fazer para que isso ocorra de fato? A resposta, para André, passa pelo acesso das usinas de grande porte às cultivares da Embrapa, o que está ocorrendo através da parceria que vai para seu segundo ano. "Atrelados a isso, sistemas de produção específicos para cada região do Brasil devem ser desenvolvidos, com o apoio da iniciativa privada e de outras instituições de pesquisa, visando a reduzir o custo produtivo e aumentar a rentabilidade da lavoura, tornando esse tipo de sorgo mais atrativo para cultivo em grandes áreas de produção".

Texto: Clenio Araujo (MTb / MG 06279 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
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Tarcísio Magalhães | 19/06/2012 - 18:58
Sem dúvida nenhuma, mais uma razão para nós, setelagoanos, orgulhar de termos a Embrapa. Oxalá se desencadeie uma positiva reação entre as grandes usinas do país.
Clenio Araujo | 07/08/2012 - 10:37
É no que a Embrapa também aposta, Tarcísio. Como empresa pública, também cabe a ela mostrar nichos de mercado promissores.

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Clenio Araujo / jornalista da Embrapa Milho e Sorgo
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