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Controle biológico de pragas é alternativa para reduzir custos de produção na agricultura

Uma primeira edição do curso sobre controle biológico de pragas (conheça os bioinseticidas lançados recentemente pela Embrapa durante o aniversário da Empresa) foi realizado na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) na primeira quinzena de abril, reunindo 60 participantes de diversas instituições brasileiras de ensino, pesquisa, extensão e do setor privado.

O chefe-geral Antônio Álvaro Corsetti Purcino destacou que a Embrapa pode apresentar soluções altamente eficientes para diminuir os custos de produção das culturas agrícolas por meio do uso de insumos biológicos. "Os custos da agricultura estão cada vez mais altos e temos um conhecimento acumulado ao longo dos últimos 30 anos que pode ajudar a mudar esse cenário", destacou.

Antônio Álvaro também reconheceu a atuação dos dois pesquisadores que atuaram como palestrantes: Fernando Hercos Valicente e Ivan Cruz. "São dois profissionais com mais de 40 anos de experiência que são referência no tema. Esperamos que o conhecimento seja aplicado em outras regiões brasileiras, ajudando a tornar ainda mais eficiente a nossa agricultura", disse.

O curso reuniu também palestrantes de entidades parceiras, como Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Centro Universitário de Sete Lagoas (Unifemm) e empresas da iniciativa privada, especializadas na comercialização de inimigos naturais das principais pragas agrícolas, as chamadas "biofábricas".

Abaixo, leia os depoimentos de três participantes de diferentes regiões brasileiras. Eles apresentam suas opiniões sobre o conteúdo ministrado pelos pesquisadores, suas vivências sobre o tema e falam a respeito das expectativas em adotar o aprendizado. 


Fernanda Abreu – Biomip Agentes Biológicos (Lavras-MG)

Bióloga com mestrado e doutorado em Entomologia pela Universidade Federal de Lavras (Ufla)

Vim à Embrapa Milho e Sorgo buscando mais aprendizado, já que a Empresa é referência em controle biológico de pragas nas culturas agrícolas usando o Trichogramma e o Baculovírus. Sou proprietária de uma empresa pertencente ao grupo Reahgro especializada em controle biológico, e estamos na fase de registro de produtos. Vamos comercializar macro e microrganismos, ou seja, fungos e insetos para controle de pragas em grãos, café e pastagens.

Ainda existe resistência por parte dos agricultores em adotar o controle biológico, mas falta conhecimento sobre a efetividade da tecnologia, já que a mesma apresenta um enorme potencial e um mercado gigantesco. Estamos na fase de montagem de ensaios em propriedades rurais para mostrar a sua eficácia, mostrando que os danos provocados pelas pragas nas culturas podem ficar bem abaixo do nível econômico. Hoje em dia, o produtor não consegue total eficácia com o controle químico, além de ele ser altamente dispendioso em termos financeiros. Outro nicho em que pretendemos atuar é no mercado de cafés especiais, para exportação, cujos países importadores exigem o uso de tecnologias sustentáveis no manejo da cultura.


Jacqueline Guadagnin – Produtora rural

Plantio de milho e soja em 1 mil hectares no município de Primavera do Leste-MT

Os pesquisadores fizeram uso de uma linguagem acessível para o produtor rural e existe esforço, por parte deles, de tornar a tecnologia uma realidade no campo. Gostaria que o conhecimento técnico fosse mais acessível aos produtores. O fato de tornar essas tecnologias públicas e de fácil acesso, do ponto de vista econômico, pode quebrar barreiras e o produtor vai usar sim esses métodos. Usamos produtos químicos por falta de alternativas, já que, do contrário, a gente morre de fome. Quando tivermos tecnologias limpas, acessíveis e desenvolvidas aqui no Brasil, com certeza usaremos. 


Claudia Trevisan – Estudante de Agronomia e produtora rural

Plantio de milho e soja em 600 hectares no município de Caarapó-MS

Fazemos sucessão de soja e milho em uma área de 600 hectares no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul. Controlamos as pragas nessas culturas com químicos e tive acesso à oferta do curso por meio do GAS (Grupo Agricultura Sustentável). Até então eu não tinha muito acesso às informações e aqui eu pude ter. Achei muito interessante, principalmente o uso do Trichogramma. Acho que funciona sim, apesar de que na nossa região o uso ainda é muito reduzido. Pela bibliografia, acompanho os resultados e vejo o potencial que a tecnologia tem para atuar no controle de pragas. Acredito que temos que seguir esse caminho. Voltando para a minha região após a realização do curso, vejo que a maior dificuldade é como implantar o controle biológico. Como vou chegar à minha propriedade e executar isso? A maior dificuldade é adquirir a tecnologia... a gente não tem nenhum conhecimento sobre onde encontrar na nossa região. Ao mesmo tempo, ainda não tenho conhecimento sobre como produzir os inimigos naturais na própria fazenda. Uma alternativa, talvez, seria identificar biofábricas que comercializem os inimigos naturais por um preço acessível ao produtor rural, mas ainda acredito que possam ser multiplicados na propriedade, pelas estruturas já existentes, de uma maneira simples, seguindo os passos recomendados, diminuindo os custos de produção. Pretendo ser multiplicadora desse conhecimento na minha região, já que os químicos hoje não têm a mesma eficiência. Vimos isso bem claro este ano, tivemos muito problema, e queremos investir no controle biológico para reduzir custos, já que hoje está muito difícil, considerando que os preços dos insumos estão muito altos. Então, claro, nada melhor que ter uma tecnologia limpa, com o menor custo, e que vai ser eficiente... É isso que a gente está buscando: conhecimento para poder aplicar isso. Não tem coisa melhor.  

Mais cursos futuros – Durante a 12ª SIT (Semana de Integração Tecnológica), que acontece na Embrapa Milho e Sorgo de 20 a 24 de maio, o tema será abordado em dois momentos: no dia 21 de maio, com o minicurso “Manejo Integrado de Pragas: entenda sua lavoura e maneje melhor as pragas”, e na sexta-feira, 24, com o curso “Manejo agroecológico de doenças e insetos-praga em plantas, com enfoque em controle biológico”.

Segundo o agrônomo Sinval Resende Lopes, da área de Transferência de Tecnologia e Inovação, o tema da 12ª SIT (“Bioeconomia na agropecuária: do conhecimento à inovação”) vem ao encontro da proposta da oferta dos temas. “A bioeconomia é um mercado que se destina a oferecer soluções coerentes, eficazes e concretas para os grandes desafios sociais, dentre eles segurança alimentar e saúde da população. As biofóbicas instaladas para a produção de insetos benéficos, para o controle de pragas, é um projeto economicamente viável e apresenta ganhos em toda cadeia produtiva”, resume.

Para mais informações e inscrições, acesse www.sit2019.com.br/ .

 

Texto: Guilherme Viana (MTb 06566/MG)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo
Contato: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br
Telefone: (31) 3027-1905

 

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Edição: NCO (Núcleo de Comunicação Organizacional)

Revisão: Antonio Claudio da Silva Barros

Fotos desta edição: Israel Alexandre Pereira Filho Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo

Chefia da Embrapa Milho e Sorgo: Antônio Álvaro Corsetti Purcino (chefe-geral), Sidney Netto Parentoni (chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento), Derli Prudente Santana (chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia) e Jason de Oliveira Duarte (chefe-adjunto de Administração)

 
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