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Idealizador do projeto Barraginhas recebe reconhecimento nacional

O engenheiro agrônomo Luciano Cordoval, da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), foi o vencedor do Prêmio Fundação Bunge na área de Ciências Agrárias, com o tema Agricultura Familiar. Homenageado na categoria "Vida e Obra", Cordoval colhe o reconhecimento por há 27 anos "plantar água" e transformar vidas de inúmeras famílias em todo o Brasil.

Com o projeto Barraginhas, ele dissemina a colheita de água de chuva. As pequenas bacias construídas nas propriedades captam enxurradas, promovem a infiltração da água no solo e a recarga do lençol freático. Além de evitarem erosões, as Barraginhas umedecem os terrenos e têm o potencial de revitalizar nascentes, perenizar córregos e rios.

Idealizador e coordenador do projeto, Cordoval conta que antes retirava água dos mananciais, quando trabalhava com irrigação. "Mas hoje eu colho chuva e devolvo água para os rios", diz, satisfeito. As Barraginhas se espalharam pelo Brasil. Estão presentes em 13 estados e no Distrito Federal, com muitos impactos positivos.

O Prêmio Fundação Bunge, criado em 1955, busca incentivar a inovação e a disseminação de conhecimento. É concedido anualmente a personalidades de destaque em diversos ramos das Ciências, Letras e Artes no País. Luciano Cordoval foi indicado pela Embrapa por seu trabalho e ficou emocionado quando soube da premiação. "Os sorrisos vieram, lágrimas também... Quando volto a folear o manual do prêmio, e vejo, em 1995, na Arquitetura, o nome de Oscar Niemeyer. Em 1982, o professor Malavolta, na Agronomia, estudei em seu livro em Lavras. Em 1984, Jorge Amado, dos livros que li na juventude. Meu professor Alysson Paolinelli em 2017, Eliseu Alves em 2000 e Dr. Zerbini, então, que fez o primeiro transplante de coração da América Latina. Gente, será que minha ficha vai cair? Eles são imortais. E agora eu?"

A felicidade toma conta de Luciano, e este não é o primeiro reconhecimento por seu trabalho. É o 15º prêmio que recebe. "Nunca fiz nada para ganhar prêmio, mas as oportunidades passam à porta. Quando eu ganhei nas primeiras vezes, muitos perguntavam: e no bolso, o que você botou? Mas nunca fiz nada para botar no bolso. Então, eu cresci com as Barraginhas, sentindo que o melhor pagamento que tem é o desse bolso daqui de cima, do coração", diz, com a mão no peito.

Mas, recordando sua história, Luciano reconhece que as premiações possibilitaram a disseminação das Barraginhas. "Com o prêmio da Fundação Banco do Brasil, o patrocínio proporcionou levar o projeto para o Nordeste, do ano de 2005 a 2010. Em seguida, entrou a Petrobras com o apoio financeiro. Então, a gente faz a coisa não pensando em ganhar dinheiro. Mas, se você for analisar a consequência, chegam os patrocínios e você vê que, lá no fundo, esses incentivos permitiram levar desenvolvimento às regiões carentes. Acredito que os idealizadores desses prêmios pensavam em valorizar os brasileiros que estão querendo gerenciar alguma coisa em benefício da sociedade mais carente".

Aos 70 anos de idade, Luciano tem entusiasmo sempre renovado. Desde o início do trabalho com as Barraginhas, percebeu que precisaria formar disseminadores para poder avançar pelo grande território brasileiro e começou a realizar treinamentos.  Criou uma metodologia de mobilização em quatro fases, que descreve em comparação com um relacionamento à moda antiga. Na Fase A, a comunidade toma conhecimento do projeto por meio de uma reunião, palestra ou reportagem. Esse é o momento do "pegar na mão". Na Fase B, uma delegação visita a vitrine demonstrativa instalada mais próxima à sua região. É o "primeiro beijo". Na Fase C, a comunidade retorna motivada com o que viu e recebe treinamento teórico e prático sobre a construção de Barraginhas, selando o "noivado". Nessa etapa, as famílias também são treinadas, não só os técnicos, pois todos se tornam multiplicadores do projeto. Finalmente, na Fase D, a comunidade motivada e capacitada inicia o processo de adesão e cadastramento para construção, de forma coletiva, das primeiras Barraginhas. Eis o "casamento". Cordoval explica que "nesse momento, quando a cultura pegou, nem o prefeito tem direito de falar que não quer mais o projeto, porque a comunidade abraça a proposta e faz pressão".

As Barraginhas são o carro-chefe do trabalho, mas, ao longo dos anos, foi elaborado um pacote de tecnologias sociais capazes de proporcionar sustentabilidade hídrica em comunidades que enfrentam situação de escassez ou de irregularidade na distribuição de chuvas. O pacote inclui lagos de múltiplo uso, fossas sépticas biodigestores, miniestufas e kits irriga-hortas, além das Barraginhas.

Sempre animado, Cordoval não cogita se aposentar. "Tem uma magia no meio disso daí, que são as famílias que me dão energia, os estudantes que me procuram. Alguns se encantam e passam a levar a bandeira para frente", conta.  Há aqueles que são chamados carinhosamente por ele de "clones", pois representam o projeto e coordenam regionalmente as ações. "Geralmente são voluntários, pessoas com o DNA do projeto e paixão pelas tecnologias sociais". Ele também se lembra com gratidão de grandes apoiadores que ajudaram a desenvolver o projeto ao longo dos anos: o saudoso colega de trabalho Edson Silva, o ex- presidente da Secretaria Nacional de Recursos Hídricos Paulo Romano e a ex-prefeita de Minas Novas Telma Wenceslau, que abriu as portas do Semiárido para as Barraginhas. Atualmente, tem como grande parceiro o pesquisador da Embrapa Paulo Eduardo Ribeiro.

Após recontar parte de sua trajetória, Cordoval afirma acreditar que tinha o projeto Barraginhas como missão de vida e reconhece a contribuição social construída. "Estou chegando à conclusão hoje que vou deixar um legado". Ao fazer Barraginhas em diversas regiões e demonstrar a transformação de locais que sofriam com a escassez hídrica, Cordoval certamente cria uma cultura de conservação do solo, colheita de chuva e produção de água.

Texto: Marina Torres (MTb 08577/MG)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo
Telefone: (31) 3027-1272
E-mail: milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

 

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